quinta-feira, 12 de junho de 2008

Balada do Inabalável nº 02

Mãe, vê se entende a minha dor
Eu nasci pra ser ator,
Fazer de conta, interpretar.

Ah mãe,não tenho dom pra engolir sapo,
Pra viver nesse anonimato
Nessa rotina que não me leva pra nenhum lugar.

Mãe, me dá sua benção,
Tô indo embora.
Vê se não chora e não implora
Pra eu desistir dessa televisão.

Ah mãe, se eu tivesse ido embora ano passado,
Na certa já estaria até escalado
Pra ser mocinho lá na Malhação.

Mãe, assim que der compro um cartão
E corro no primeiro orelhão
Pra te contar, o quanto o Rio é sensacional!

E não demora mãe,a senhora vai me ver
Beijando Malu,na próxima novela da TV
Vai ver seu filho, no caderno de domingo do jornal.

sábado, 7 de junho de 2008

Um gato de bota...

Continuo sem internet em casa. Algumas coisas aconteceram nos últimos dias. Nessa minha vida que nunca acontece quase nada. E hoje tive vontade, necessidade de passar aqui pra escrever. Há quatro dias de encerrar meu contrato de trabalho com a empresa a qual estou me desligando, sofri um acidente e fraturei o meu pé. Participei do festival de Cinema de Cuiaba, com dois video-clipes que não não foram vencedores, mas a esperiência valeu a pena. Fui selecionado pra ser monitor na UFMT. Estou ainda mais gordo. Tive uma experiencia nova, com um pessoa nova, mas sei lá, não quis levar adiante.
Continuo flácido, gordo, só, triste, confuso, e virgem.Recebi uma oportunidade de fazer estágio
Em tempo: esses acontecimentos não aconteceram exatamente na ordem que foram citados aqui. Se é que a ordem dos fatores, altere alguma coisa.
E pra terminar, continuo flácido, gordo, só, triste e virgem.
E na verdade, o fato de ser virgem é o que menos me incomoda.
Na verdade, eu começo a gostar um pouco dessa condição.
Não sei quando meu pé vai estar bom novamente. Não sei quanto tempo ainda vou levar pra me desligar do meu trabalho e poder começar vida nova, numa nova empresa. Não sei se vou ficar bom a tempo de não perder esse oportunidade de estágio que me apareceu. Não sei de mais nada.
Não sei se estou feliz aqui, mas também não sei se posso ser feliz em outro lugar.
Tenho medo de tomar decisões e me arrepender, e não ser compreendido.
E ao mesmo tempo, me sinto não farto de me importar com a opinião alheia.
Não sei até que ponto algumas pessoas se importam comigo, mas sei que algumas se importam tanto que as vezes eu sinto odio de mim, por não conseguir demosntrar a recíproca que costuma ser verdadeira.
E quanto as que não se importam, já não tenho mais energia para questionar o porque elas não correspondem a minha atenção.
Estou cansado de tudo, de mim, dessa vida, dessas dúvidas.
Estou com saudade da minha mãe, dos meus irmãos.
Queria estar perto da Rita, do Eduardo, da minha mãe Morena.
Queria estar no Rio de Janeiro.
Queria estar em Marte.
Queria estar longe daqui.
Está muito chato estudar a noite naquela faculdade.
É tudo tão triste, tão cinza.
Ou será minha vida que está assim?
Hoje não tem foto.
Vou voltar pra casa, devargazinho pra não prejudicar ainda mais a fratura, e ficar vendo TV, com a minha solidão que acostumei a ter como companhia.
Meu pé dói.
Minhas costas doem.
Queria ter mais fotos com a minha mãe, os meus irmãos.
Queria que fossemos felizes de verdade.
A Poliana me chamou de gato de bota.
Por isso, o título desse post.
Ainda que eu esteja mais para um sapo de bota.

" Aquele que habita no escoderijo no Altissimo, à sombra do Onipotente descansará".