segunda-feira, 21 de abril de 2008

A bailarina



Por Thaís Carvalho e Gustavo G.


Ela dançou a noite toda,

como se fosse uma criança,

sem se lembrar que na Segunda,

tão cedo despertava,

precisava trabalhar.



Ela trazia no olhar,

o frescor,

a esperança,

que aquela noite de festança

pudesse não mais acabar.



Mas acabou.

E na Segunda, ela desperta pra mais um dia, sua interminável rotina.

Ela já não tem o mesmo brilho

É a mulher, não a menina.

É operária, não bailarina.


Agora, durante uma semana

Ela vai envelhecer , vai ter que aguentar

Até que o próximo sábado chegue,

e na numa nova noite, ela se aconchegue

e possa enfim se re-libertar.

Poema de precaução

Por Thaís Carvalho e Gustavo G.


Sabe-se lá,
se amanhã eu morro
preciso essa noite,
pedir teu socorro,
registrar o nosso namoro,
que só no papel, posso desenhar.

Eu quero tudo hoje, agora, aqui.
Imaginar que vc está por perto,
provar do teu hálito,
de peito aberto,
nos reinventar.
Acreditar que ainda vale a pena, acreditar.

Eu quero tudo hoje, agora, aqui.
Comentar no teu blog,
que meu amor é seu fim.
Pichar o teu muro,te telefonar,
te enviar em e-mail imaturo, no afã de te conquistar
pois amanhã, eu posso cair duro, sabe-se lá.

Poema de sobrevivência


Eu vou virar as costas
quando você passar,
como um desconhecido
Como um cão sem lar.

Eu faço isso contigo
para não me aproximar.
Insistir que sou amigo,
é me martirizar.

Sua presença
ainda pertuba
os meus sentidos.

Seu sorriso
ainda cega
o meu olhar.

Consequência


Como vou fazer
de agora em diante,
pra ninguém perceber que sou tão infeliz.
Pra voltar a ser o mesmo cara de antes,
que tinha tanta coragem
que era dono do próprio nariz?

Meus versos
não tem nenhum sentido
se não forem lidos por você.
Meus Deus o que aconteceu comigo?
Eu mergulhei em um abismo,
sem ter ninguém pra me deter.

Eu já pensei demais,
sobre tudo de ruim
que cê vomitou em minha dire,ção.
E se hoje não tenho paz,
Foi por gostar de um rapaz
Foi por abrir meu coração.

Poema de perseverança


Eu tô tentando
eu juro,
reconstruir meu universo.
Já não acredito
em tudo que me dizem,
já não faço mais questão
de ter você por perto.

Eu tô me esforçando,
confesso:
pra não ser tão pueril.
Eu já não morro de amor,
nem me enveno
de mágoa em fevereiro,
ou de rancor no mês de abril.

Sem sentido


O chiclé faz ploc!
O prato da Raimunda,
é o nhoque...

A batida faz Prac!
A mosca zum,
A pia pinga,
O Réx late.

O casal geme,
O apavorado treme,
A escandalosa berra!

Na Espanha não tem guerra,
mas também não tem caju.
O bailarino dança
Até um diplomata já mandou alguém tomar no...

Cuiabá, não é assim tão quente.
Quem passa no vestibular,
nem sempre é tão inteligente.

A saudade de casa, consome
A poesia nem sempre rima,
Não é pecado sentir tesão na prima,
Chorar, também é coisa de Homem.

O ódio mata,
O amor resgata,
A ferida dói.

Essa vida é sem sentido,
Como um poema , como um dia de domingo
A puta chupa, a pulga pula
O rato rói.

Egoísta


Eu não divido nada.
Eu vivo só:
eu, minha casa,
meus discos favoritos,meus livros,minha televisão.

Eu não divido nada.
E não há sentimento que faça com que eu abra
mão dos meus fantasmas,
da minha solidão.

Poema da segunda vez


Não quero acreditar
que vai começar
tudo de novo.

O mesmo fogo no olhar
a mesma vontade de estar
com ele por perto...

Não posso entender
Como pode acontecer
comigo, de novo?

Gostar de quem não posso ter
Querer quem não vai corresponder
os sinais do meu corpo.

Talvez eu vague por aí
Não é covardia fugir
da solidão.

Ou me arrisque
nesse outono
revelando minha atração.

Próximos Janeiros ( Poema da amizade sem volta)


Eu perdi meu amigo,
num dia cinza, sem sol
ele não está comigo
desde o último verão.

Eu perdi meu amigo,
e já não sou mais inteiro
e permanecerei sozinho
pelos próximos janeiros.

Eu perdi meu amigo,
eu perdi, meu irmão
o meu pai, o meu filho
meu espiríto e o chão.

E ainda que haja outros motivos
que preencham sua ausência,
eu perdi meu amigo.


E serei infeliz
pelos próximos janeiros,
ou por toda minha existência.

Aviso


Não fale de amor desse jeito,
Eu posso me apaixonar.
E tenho um grande defeito:
de me envolver sem pensar.

Cê pode não ser perfeito,
mas quando eu resolvo gostar
só vejo virtudes, não enxergo defeitos
me atiro do décimo andar.

Não pouse sobre o meu peito,
Não saberei dizer: não!
se despertar meus desejos
se tocar a sua canção.

Eu tenho um grande defeito:
sou vulnerável ao seu violão.
Então faça o que devia ter feito
Não fale de amor desse jeito,não provoque o meu coração.

Poema de Insistência


Não foi em vão
que vim aqui.
Preste atenção,
olhe pra mim.

Meu coração
vai explodir!
Não tem razão
de ser, sem ti.

Mande esse rancor
para o diabo que o parta.
Aceite meu amor,
responda as minhas cartas.

Alguém já falou:
não espere, faça!
E o que eu faço com essa dor,
se eu não suporto a tua falta?

Não foi em vão
que insisti nessa canção.
Nessa rima tão chinfrim,
sem cadência ou emoção.

Cê não tem noção
do que é a sensação
de viver, sem ter prazer
de arder,de solidão.

Anônimo nº 02


Ninguém me quer,
Ninguém me quis,
Não sou ator,
Não sou atriz.

Ninguém me quer,
Ninguém me diz:
Que fará tudo,
para eu ser feliz.

Ninguém me quer,
Ninguém me olha,
Nem me deseja,
ou me adora.

Ninguém me diz:
Não vá embora.
Ninguém me abraça,
ou me devora.

Ninguém enxerga
a minha dor.
Não sou atriz,
Não sou ator.

domingo, 20 de abril de 2008

Ensaio sobre o desabafo.


Dias difíceis os nossos. Se não bastasse a corrupção, a miséria, a dengue, o tráfico, nos assustando, nos limitando,nos violentando, somos agora expectadores de barbáries incompreensíveis, imagináveis, inexplicáveis.
Como alguém pode ter a capacidade de cometer uma brutalidade desse tamanho com uma criança meu Deus? E quem afinal é o responsável por esse crime? O pai e madrasta? Ou haveria de fato uma terceira pessoa na cena do crime,tão fria, tão calculista ao ponto de elaborar um crime perfeito, sem deixar provas que a comprometesse?
Os laudos apontam que eles,o pai e a madrasta estão diretamente ligados com esse assassinato, mas e se de fato estiverem falando a verdade?
Na entrevista exclusiva concedida ao fantástico, ora eles parecem frios, ora parecem determinados a mostrar o quão amavam Isabela, mas ora parecem tão abalados, tão arrasados que sei lá, fica dificil não acreditar que estejam mesmo sofrendo e que não estão envolvidos nesse crime.Mas ao mesmo tempo, as provas, o sangue no carro, o chinelo, e mais uma porção de evidências apontam eles como os culpados. Meus Deus! É tão desesperador, é tão tão triste tudo isso! Não me sinto apto pra fazer um julgamento desses, não me sinto preparado nem para fazer uma análise nessa entrevista exibida agora a pouco.Não tenho maturidade, nem conhecimento para isso.E talvez por isso, não consegui ter uma opinião formada sobre o casal depois da sabatina feita pelo fantástico. Como exigência para conceder a entrevista, eles quiseram uma cópia da conversa cedida. Não consegui entender o porque disso. Qual a intenção deles? Caso, estejam blefando, fizeram questão da fita afim para analisar se a perfomance fora realmente convicente e emocionante, e assim estudar o que disseram para evitar contradições em entrevistas posteriores, ou simplesmente queriam uma cópia do material para derrepente usarem a favor da investigação, afim de provarem que são de fato inocentes?
Não sei o que pensar. Só sei, que o Brasil vai demorar a esquecer essa atrocidade.Só sei que diante de uma brutalidade dessas, fica ainda mais dificil ter fé no próximo.
Ter fé na vida, ter fé no amanhã, que chega cada vez mais assustador, cruel, frio, e violento.
Que Isabela descanse em paz.E que seja feita justiça. Que o culpado, ou os culpados paguem pelo que fizeram. E que ainda assim, diante de tanta coisa ruim, a gente insista em tentar ser feliz.

Trapezista


Minha cabeça roda,
o que será de mim?
Em cima dessa corda,
como será meu fim?

Viver é uma prova
de equilíbrio e fé.
E toda essa platéia,
pagou para me ver de pé.

Minha cabeça roda,
não posso desapontar.
Se eu cair na lona,
quem vai me sustentar?

Se eu der um passo em falso,
e desequilibrar,
quem vai colar meu cacos,
quem vai me consolar?

sábado, 19 de abril de 2008

Resposta pra Ladainha


Você não tem chances,
não crie esperança.
Siga tua vida adiante.
Quem espera, sempre cansa.

Então, dance outro fado,
deixa de ladainha.
Eu não te quero ao meu lado.
Dispenso tua companhia.

Então,pega teu barco
e busca outro mar.
Saia da minha frente.
Ou você vai naufragar.

Você não tem chances,
acorda Alice!
Mas se não entendeu, paciência!
quer que eu desenhe o que eu disse?

Simples motivo


Pelo simples motivo
de te amar,
eu só vivo pensando em você.

Todo esse brilho
no meu olhar,
surge quando penso em você.

Pela primeira vez
eu chorei, quando a vi,
de felicidade.

Compreendi
que me apaixonei
por você, de verdade.

Pelo simples motivo
de te amar,
eu te quero para a eternidade.

Criar nossos filhos
construir um lar,
e te amar com toda a intensidade.

Pela eu primeira vez
eu chorei,
despertei para realidade.

Esse amor,
é tão triste só eu sei:
nunca houve reciprocidade.

Pelo simples motivo
de te amar,
eu desisto de tentar te esquecer

Conjugo sozinho
o verbo amar,
o sentir,e o verbo sofrer.

Universo de romance


Ela faz planos pra daqui a um mês,
e acredita em disco voador,
Ela escuta bossa em inglês,
Ela nunca se apaixonou.

Ela visita sebos e brechós,
e coleciona bolsas coloridas,
Ela não gosta de ficar tão só,
mas não crê num amor pra toda a vida.

Ele é tão doce quão misterioso,
Ele tem sonhos e sabe até dançar,
Ele é tão forte, simples, corajoso
e não tem medo de apaixonar.

Ele acredita que amor exista
Ele tem brilho, graça e muita fé.
Ele coleciona coisas esquisitas
E muita gente até duvida se ele gosta de mulher.

Ela mora no Rio de Janeiro,
E há pouco mais de um mês, ele se mudou pra lá.
Ele procura um amor verdadeiro,
Ela não conjuga o verbo amar.

Eles nunca se viram.
Mas numa terça- feira de março,
seus olhares, seus pedaços
irão se encontrar.

E desobecendo a clichês,regras,boatos
Os dois se perderão num interminável abraço,
e mundo vai girar,girar, girar
sem que eles saiam do lugar.

E contrariando a lógica,o tempo,e o espaço
Eis que surge o destino e os amarra num laço.
Com um amor tão verdadeiro,
que nem Paulo Coelho, foi capaz de imaginar.

Hoje eles vivem
num canto qualquer do universo.
Ela, agora canta o amor.
Ele, um pintor de sucesso.

E os dois ensinam a seus filhos,
a não serem tão céticos,a permanecerem tranquilos,
pois na hora marcada pelo destino,
do amor, ninguém pode escapar.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Mais um dia, menos um dia.


O que me levou a criar esse blog? Eu sei, só eu sei o motivo que fez fechar as portas de "Intervalo Sentimental" e começar " O diário de urso".E as cores, a forma, o título tudo tinha um motivo, uma razão.
Primeiro, porque gosto de acreditar que ciclos possuem início, meio e fim.Segundo porque Intervalo se transformou gradativamente num espaço íntimo e pessoal ao quadrado, e não achava justo comigo me expor daquela maneira. Tudo bem que vomitar meus sentimentos, é saudável e se faz necessário o desabafo, agora não havia o porque compartilhar tanta coisa que só dizia respeito a mim, com tanta ou pouca gente.Logo, o ciclo do blog antigo chevaga ao fim. Compreendia a um espaço de tempo e sensações que tinham feito com que eu amadurecesse, me edificasse ou não. E uma vez chegando aquele blog ao fim, era preciso, também saudável e porque não necessário iniciar um novo ciclo, blog, diário de sensações. E o processo talvez se encaminhasse para o mesmo rumo: eu começaria lento, e gradativamente abriria as portas da minha intimidade, até que um dia necessário talvez se faria fechá-lo. Mas essa nova porta que lentamente eu abriria para os poucos ou muitos que me visitam, era a porta de um comôdo novo da minha casa; eu estava disposto a percorrer com coragem, posicionamento,amor e humor, sobre a nova etapa da minha vida que começava.
Por isso as cores, o título,a forma do blog.Tudo estava diretamente relacionado ao meu novo momento marcado por coragem suficiente para escrever sobre ele de uma maneira muito verdadeira, porém menos arreganhada, mas não menos visceral.
E finalmente iniciei o blog. Mas o tiro acabou saindo pela culatra.Fui tomado por um momento de fértilidade no meu processo de inspiração e quando dei por mim, o mês dentro do meu espaço estava recheado de novas composições, poesias, letras e não sei mais o que. Mas a idéia inicial de postar comentários sobre o dia a dia de um urso, parecia adiada, interrompida. Mas analisando agora esses quase três meses de blog, eu me questiono: será que o título saiu mesmo pela culatra? E em seguida tenho arrogânciao bastante para responder minha própria pergunta:Não saiu pela culatra coisa nenhuma. As rimas, os versos, a minha poesia barata nada mais é que uma das milhares maneiras que posso usar( e eu posso qualquer uma,porque o blog é meu) para descrever a trajetória deste urso, que aqui escreve.
Não vou explicar o significado da expressão urso, não comentarei as cores escolhidas para ilustrar essa página, até porque depois do início deste blog muita coisa já se alterou dentro de mim, e eu me sinto livre para não me torturar, tampouco me rotular.
E embora não queira rótulos, a expressão urso me agrada, e o blog não seria o mesmo se não fosse " O diário de um urso".
E uma vez que posso me atrever a escrever da maneira que eu quiser, cá estou para dizer que a idéia de permanecer sequer mais dois meses naquela empresa, me abala, me desespera. Não tenho motivação para continuar, não lá.Os últimos três dias, foram os mais longos dos meus vinte e quatro anos de vida, e me assusta a idéia de alguns dias intermináveis, ainda estejam por vir.
De qualquer modo, preciso crer que um milagre está por vir, e que mais um dia de tristeza,fadiga, cansaço, é menos um dia das mesmas emoções ruins,que se aproximam do fim.
Quero liberdade, quero uma vida nova, uma perspectiva nova. E nada mais justo que eu sonhar com tudo isso. Eu, um, cara que tenta se fazer de forte e cruel, e nada mais é que um menino frágil e do bem, que praticamente não possui momentos de prazer, deve merecidamente encontrar novos rumos dentro do campo profisional, já que no campo amoroso tudo nem vai de mal a pior. Aliás.Nem de mal a pior não vai.Simplemesmente não existe.
Mas tudo há de dar certo no final, e se não deu certo ainda é porque não é o fim. Mais um dia, menos um dia.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Inverno no Rio


Hoje o dia amanheceu tão frio.
Quem diria que isso iria acontecer.
O inverno surgir em pleno abril,
ampliando todo o vazio,
que agora sinto ao te perder.

Hoje o céu acordou tão cinza,
E o sol nem se atreveu em despertar.
As folhas secas nas ruas do Rio,
em contraste com esse frio
que ninguém avisou que iria chegar.

Hoje a noite não vai ser estrelada.
Já não há mais nada que eu possa fazer:
já joguei copos contra a parede,
quebrei teus discos, perdi meus dentes,
e agora esse inverno, que chega sem eu prever.

Quem vai me esquentar nessa noite?
Um dia eu te disse: se for pra me deixar, que não seja no frio.
E você me abandona nesse outono cinzento,
e ampliando meu sofrimento,
nesse exato momento,faz inverno no Rio.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Poema 3x4


Eu posso atravessar
a minha existência,
sem encontrar alguém
que vá se apaixonar.

Por minha estampa cara:
a minha inteligência.
O brilho dos meus olhos,
que ofusca o teu colar.

Eu tenho o gênio forte.
Não é questão de prepotência.
Mas sei exatamente
aonde quero chegar.

A minha estampa é clara:
trago na minha essência
verdade,irreverência
e coragem pra sonhar.

E por ser tão incomum
eu não tenho paciência
com prefere a aparência,
ao invés do conteúdo.

A minha estampa é rara:
Não me guio por tendência
Eis a minha diferença:
não sou igual a todo mundo.

E sei do risco que corro,
de ninguém se apaixonar
Por um ser tão curioso
que ninguém seria capaz de copiar.

Mas ainda que eu atravesse a minha existência
sem despertar um coração.
Eu tenho a plena conciência:
a minha estampa,não é pra qualquer um, não.

Despedida


Chorou pela primeira vez,
e jurou ser a derradeira.
O dia era trinta , o último do mês
Chorou naquele abril,
sem apelar para anestesia.

Chorou,e descobriu o quão doía
despedir-se daquele grande amor,
que nascera num verão matizado
e morria, naquele outono sem cor.

Mas morria, só por um lado
o que amplificava sua desilusão.
Aquele amor,com quem havia se acostumado
agora desaparecia naquele vagão.

Chorou,de tristeza e piedade
com horror da tua própria sina:
naquele amor se encontrara de verdade,
mas não havia reciprocidade
naquela emoção quase divina.

Chorou pela primeira vez,
e não guardou uma lágrima sequer
Verteu naquele pranto,
toda sua mágoa de mulher.

Mas não perdeu a lucidez
Não apelou pra anestesia.
Sofreu tudo de uma vez,
enquanto seu amor se despedia.

A forma e o sentido


Pelo amor de Deus,
vai e me deixa em paz
Perto dos olhos teus,
os meus, já não brilham mais.

Vai, e me deixa sozinha
que mais cedo ou mais tarde,
essa dor vai passar.
Eu conto com minha força,com minha arte.
e com tua distância pra te exorcizar.

Mas pelo amor de Deus,
Fique longe de mim,
Tua presença representa perigo.
Diante da tua forma,
meu coração se transforma,
e nada mais faz sentido.

Um amor, pra quê?


Pra me completar
Pra me aquecer
Pra me suportar
Prar me surpreender.

Pra me abraçar
Pra me proteger
Pra me enfeitiçar
Pra me enlouquecer.

Pra me visitar
Pra me preencher
Pra me telefonar
Pra me dar prazer.

Pra me acompanhar
Pra me estremecer
Pra me devorar
Um amor, pra quê?