
Chorou pela primeira vez,
e jurou ser a derradeira.
O dia era trinta , o último do mês
Chorou naquele abril,
sem apelar para anestesia.
Chorou,e descobriu o quão doía
despedir-se daquele grande amor,
que nascera num verão matizado
e morria, naquele outono sem cor.
Mas morria, só por um lado
o que amplificava sua desilusão.
Aquele amor,com quem havia se acostumado
agora desaparecia naquele vagão.
Chorou,de tristeza e piedade
com horror da tua própria sina:
naquele amor se encontrara de verdade,
mas não havia reciprocidade
naquela emoção quase divina.
Chorou pela primeira vez,
e não guardou uma lágrima sequer
Verteu naquele pranto,
toda sua mágoa de mulher.
Mas não perdeu a lucidez
Não apelou pra anestesia.
Sofreu tudo de uma vez,
enquanto seu amor se despedia.


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