sexta-feira, 28 de março de 2008

Amanhecer


Acordarei, calado
Não há mais ninguém ao meu lado.
Não sobraram lembranças,
Não houve noite de amor.
Não foi seu olhar de criança
Nem seu beijo rosado,
Que me despertou.

Acordarei,perdido
e o pivô de tudo isso:
meu coração, meu algoz.
E se nessa manhã nada mais faz sentido
Acostume-se,bandido!
Não trocarei de lençóis.

Reconstrução


Já faz um mês,
que o sol desapareceu
e o cinza que era azul,me acompanhou.

Quem crê em Deus,
na certa encontra explicação:
vê na falta de amor,reconstrução.

Não vejo mais graça em nada.
Ontem eu recorri ao álcool
pra não me lembrar...

Que não há nada que eu faça.
Você me confessou,
que nunca irá me amar.

Já faz um mês,que ligo o televisor:
miséria,assalto,mulheres de maiô,
nada é capaz de me comover...

Nem mesmo a dor,alheia no retrovisor
se eles passam fome, eu sofro de amor
e sou tão infeliz, sem ter você!

Já faz um mês,que meu universo desabou.
O I Ching,os astros, as cartas do tarô
eu busco em vão respostas,pra te esquecer.

Quem crê em Deus,
na certa encontra explicação,
Vê na falta de amor, inspiração.

Chantagem


Cê não sabe da maior,
me disseram que você
tá sofrendo que é de dar dó
entrou numa de deprê.

Que já não vive,
nem se alimenta, com a mesma emoção
e que o pivô dessa tormenta
foi a nossa separação.

Se depender da minha volta,
pode preparar teu funeral.
Tuas lágrimas de cebola, não me comovem,
teu desempenho é quase teatral.

Cê não sabe da maior,
meu coração já não se entrega.
A sua, eu já saquei faz ó!
é só chantagem, vaso ruim não quebra.

Locomotiva


No fim da tarde
lá pelas seis,
antes da noite cair...
eu vou me perder
como os trilhos de um trem,
que sozinhos não sabem
que caminho seguir.

No fim da tarde
lá pelas seis,
antes do sol esconder-se de mim...
eu vou me entreter
como um zé ninguém,
afogando meus sonhos
num copo de gin.

No fim da tarde
lá pelas seis,
antes que o dia se aproxime do fim...
eu torço pra que você perdoe
meus erros,
minha estupidez
e não se esqueça de mim.


Eu me viro sozinho.
Eu sobrevivo sem ti.
Já sei escolher um bom vinho,
e preparar o meu jantar.

Eu não de dependo de nada.
Minha companhia, agora me basta.
Eu sigo só a minha estrada,
e qualquer sintoma de desespero,
é efêmero, passa.

Eu me viro sozinho.
Bato uma punheta.
Escrevo uma canção.
Não preciso do teu corpo,já te adianto:
eu me garanto,com uma boa dose de imaginação.

Antológico


As vezes, a saudade volta.
Em outras, a saudade vai.
Mas ela sempre bate à minha porta.
A saudade nunca sai.

As vezes, a saudade irrita.
Em outras, ela vai devora.
Mas a saudade sempre fica.
A saudade não vai embora.

As vezes a saudade fica.
Em outras, ela me deixa em paz.
Mas é certo que minha vida seria mais bonita.
Sem essa saudade estranha de um pai.

As vezes a saudade dói.
Em outras, só me deixa triste.
Mas é fato:tenho saudade do que ainda tenho,
e mais saudade ainda do que nunca tive.

domingo, 23 de março de 2008

Desencanto


Pela primeira vez com você,
eu não tenho assunto.
Eu não sei o que dizer,
eu não sinto muito.

Pela primeira vez com você,
estou mais frio que um defunto.
E ao seu toque, não sou capaz de mover
sequer um músculo.

Pela primeira vez com você,
eu não tenho vontade.
Eu não sinto prazer,
eu não sou de verdade.

Pela primeira vez com você,
me domina o cansaço.
Eu me sinto tão longe,
tão preso, tão fraco.

Pela última vez com você,
uma certeza me invade:
eu não quero ficar, eu preciso partir.
Ainda não achei minha cara metade.

sábado, 22 de março de 2008

Telefonema


Não é dessa vez,
e talvez nunca seja.
Seus olhos de bolita,
sua boca de cereja.

Uma ilusão maldita,
outro copo de cerveja.
Uma vida tão bonita,
Talvez nunca seja.

Não pode ser agora,
talvez nem amanhã.
A vontade me devora,
sem chances de me completar.

E sua voz só colabora,
para o meu delírio se ampliar.
Imaginando o que não pode ser agora,
e talvez nunca será.

Refrigerante


Do que me adianta chorar.
Me traz uma fanta,
se não tem uísque com guaraná.

Me traz uma fanta,
se ela não vai voltar
pois minha garganta está seca de tanto se lamentar.

Depois,
manda conta
se eu não puder pagar.

Mas agora me traz uma fanta,
já que ela não é santa,
já que ela não quis me amar.

Já que estou tão só,
e não tem uísque
com guaraná.

Se ela não vai voltar.
me traz
um refrigerante.

Que preciso ser alguém.
que eu preciso
levar minha vida adiante.

Delícia Morena


Passou em frente ao trio
Causando sensação
Foi chegando de mansinho
Fez tum tum meu coração.

Falou no meu ouvido,
E quando dei por mim
Fui perdendo os meus sentidos
Levitei, estremeci.

Beijou o meu pescoço
Afagou todo o meu pelo
E sem fazer nenhum esforço
me provocou, me seduziu.

Refrão: ( Bis)

Delícia morena
Delícia morena
Eu danço, eu canto, eu grito...
Esqueço todos os meus problemas!

Provou todo o meu gosto:
O meu hálito, o meu cheiro
Mordeu a minha boca
Com os olhos me despiu.

Refrão: ( bis)

Delícia morena
Delícia morena
Eu bebo, eu beijo, eu vivo
Salvador vai ser pequena!

Devorou o meu corpo
Num instinto natural
E partiu atrás de um bloco
Antes do fim do carnaval.

Varizes


Eu não escrevo
quando
eu quero.

Eu espero
uma crise,
eu sou sincero.

E quando surge
uma varize,
me desespero e escrevo.

De verdade,
eu não invento
um novo verso por vaidade.

Eu não invento
uma solidão por interesse,
só para escrever um novo poema.

Eu sempre aguardo
uma tristeza, um complô,um telefonema
pra só depois escrever.

E quando eu escrevo,
eu nem quero
mas é preciso fazer.

Pra fechar a ferida,
pra amenizar minhas varizes
eu escrevo.

Pra lembrar
que existe amor ,
e esquecer que eu tenho medo.

Pra confessar que tenho vícios
eu não quero,
mas eu escrevo.

Duas


Cê ainda gosta dela
Não há como negar.
Por mais que feche a janela,
pra não vê-la passar...

Cê ainda gosta dela
Em meio há tanta dor.
São tantas lembranças belas,
daquele grande amor.

Cê ainda gosta dela
Desista de esconder.
Que é capaz de viver sem ela,
por mais ela forje que é capaz de te esquecer.

O brilho dos teus olhos
já não é mais igual.
E tá na cara que é shotophop,
o sorriso dela no jornal.

Cê ainda gosta dela
Nem adianta disfarçar.
Mudar de cidade, bloquear seu e-mail.
ou apaga-la da agenda do seu celular.

E amor assim não se acaba
Vai ser em vão tentar sufocar.
Cê ainda acorda pensando nela.
ela ainda dorme pensando em te telefonar.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Iceberg


Há tanto gelo à nossa volta,
calor algum vai derreter.
Nossas feridas criaram crostas,
não adianta a gente disfarçar.

Muitas perguntas,poucas respostas
não é preciso explicação.
Ainda existe tanta discórdia,
inebriando nosso coração.

Me dá um abraço,diz que me ama,
que não via a hora da gente se encontrar.
Depois me beija,me leva pra cama,
mas apaga a luz, pra eu não me lembrar.

Evita os meus olhos, me faz companhia.
A casa é tão grande, só hoje eu percebi
que agora ao seu lado, me sinto vazia,
carrego um iceberg dentro de mim.

Há tanta coisa que não foi dita,
e se engasgou na nossa alma.
Tanta frieza é quase explícita,
não há mais tato, nem emoção.

A nossa pele já não se encontra,
somos reféns de um sofrimento.
A gente tenta,e se esforça,
mas não se forja um sentimento.

Me dá um abraço,diz que me ama,
que não via a hora da gente se encontrar.
Depois me beija,me leva pra cama,
mas apaga a luz, pra eu não me lembrar.

Evita os meus olhos, me faz companhia.
A casa é tão grande, só hoje eu percebi
que agora ao seu lado, me sinto vazia,
carrego um iceberg dentro de mim.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Como se fosse sábado...


Uma quarta feira monótona. Não fui a academia,não fui a faculdade, não fiz dieta, não fiz nada da minha vida hoje. Mas, tinha esperança que ao cair da noite pudesse me reunir com alguns amigos e afastar essa monotonia. Ouvir uma música, jogar conversa fora, beber alguma coisa. Mas não, encerro mais uma dia como se fosse sábado.Como se fosse os meus dias de sábado, onde nada acontece, onde minha tristeza se amplifica devido a expectativa que sempre surge de me divertir, de ser um pouquinho menos infeliz.
Mas os amigos que tenho são virtuais, e me adoram virtualmente.
As companhias que tenho são distantes e me acham o máximo à distância.
E amores, esses não surgem nem virtualmente nem de forma nenhuma.
Sou querido,engraçado, um amor de rapaz, inteligente, o maior barato, mas desde que fique longe, na minha jaula, tal qual um leão solitário.
Mas desde que não seja presença garantida em nenhuma festa, desde que saiba o meu devido lugar, nesse universo onde não sou convidado pra ir nem a próxima esquina tomar um café.

terça-feira, 18 de março de 2008

Sobre tempo,ferida, calo, porrada, cicatriz, amizade e fé.


E lá se foram quase dez anos, desde a última vez que a vi.Ela foi minha primeira terapeuta, minha primeira grande amiga. E o seu riso luminoso, sua fisionomia terna nem todo esse tempo foi capaz de apagar.Eu,ainda apenas um gordinho,que não podia ser classificado de obeso naquela época;além de não possuir todo o meu peso atual,também não possuia barba nem a expressão calejada pelas inúmeras porradas que a vida me deu nos últimos anos.Eu devia ter uns quatorze, e já sabia, lá no meu íntimo que queria ser ator, já sofria de falta de interesse pela realidade,já começava a apresentar os primeiros sintomas pela carência absurda de um pai que eu nunca tive de verdade.Os sintomas da grande obsessão que me seguirá até a morte talvez, a idéia fixa e intangível de ser um grande ator de televisão lá no Rio de Janeiro, de ganhar a vida fazendo o que de fato me daria prazer, de proporcionar aos meus uma vida mais confortável, de ser reconhecido e ter meu vazio preenchido graças a fama que seria consequência do meu talento que eu obcecado julgava possuir de sobra.E de conhecer um universo novo e multicolorido. E ela estava lá, me ensinando, me encorajando, trazendo um pouco de graça para a minha rotina juvenil tão sem cor.Me contando sobre todas as cores que me esperavam quando fossemos em uma das próximas férias para o seu Rio Grande Do Sul. Me falava das frutas típicas de lá, e quase impossíveis de serem cultivadas no meu quintal. E eu imaginando tudo que me esperava em uma das minhas próximas férias:a temperatura baixa, os sons, os aromas e as cores; as cores sempre.
Ela acreditava que eu fosse capaz de chegar ao Rio,e eu confiava na fé que ela depositava em mim.De fato,Irmã Salete era uma freira diferente das outras.Possuía um brilho, uma alegria, um vontade de viver no olhar única, singular. E um dia quando cheguei na escola, soube que ela não estaria presente para a aula de religião, pois tinha feito uma viagem de última hora. Viagem essa, que eu ignorava que nunca teria volta.
Tempos depois, entendi o que havia acontecido:ela largara o hábito e por motivos que nunca entendi direito, teve que ir embora de uma hora para outra. Imposição da paróquia?Vontade própria, por receio de não saber o que dizer para a comunidade? Para mim, ela não precisaria dizer nada, pois a alegria e a amizade que ela me proporcionava era o bastante. E sua força, sua luz,e sua fé estavam além de qualquer hábito.
Ela nunca mais voltou. Por algum tempo vivi no afã de que ela voltasse, me escrevesse ou sei lá o que.Por alguns anos de minha vida esperei que algumas pessoas retornassem: meu pai, minha tia Renilda, Marcela e com Irmã Salete não foi diferente. Eu tinha fé que uma dia ela apareceria para que cumprissemos nosso roteiro no tal Rio Grande do Sul,e se tal odísséia não possível fosse, tudo bem. Minha fé permanecia inabalável de que ela voltaria para que eu pudesse escutar seu riso, assistirmos juntos, mais uma vez A noviça Rebelde, e jogarmos conversa fora enquanto descascávamos nozes, vindas do famoso Sul.
Mas assim como as outras pessoas que não vieram, e eu cansei de esperar;com ela foi igual:num dia qualquer de minha rotina sem sal, eu deixei de crer na ternura, nas promessas, e na força de uma amizade que derrepente só eu parecia cultivar. Meu pai não veio e olha que esperei até o meu aniversário de dezoito anos, minha tia Renilda nunca voltou no tão esperado Julho para me buscar, se bem que a partir de um determinado mês sete, eu nem sabia mais se queria mesmo que ela voltasse pra me levar , e o reencontro com Marcela foi frustrante, infeliz.
Não é preciso entender tudo de minha história, mas o que acontece é que apartir de um certo dia, depois de tantas esperas em vão, eu perdi a minha fé.
E honestamente párei de contar até mesmo com o acaso que me brindou com tantas rasteitas.Meu pai, minha tia, e Marcela são personagens que desencadearam o meu ceticismo em relação a possibilidade de rever Irmã Salete.Meu ceticismo em relação a a qualquer reciprocidade no amor.
Estava determinado:eu nunca mais iria rever Irmã Salete. Não tinha seu paradeiro. Ela não perderia seu tempo me escrevendo. Minha amizade não era essencial para ela.
Março do ano de 2008.Cá, estou alienado pelas ferramentas que a tecnologia através da internet me disponiliza:msn, orkut, site de revistas de televisão, horóscopo,vídeos engraçados,blogs, paredão.
Me transformei num obeso quase mórbido, sem nenhum intelecto,sem perspectivas de futuro, amor, amizade ou sorte.
Enquanto perco parte do meu tempo me dedicando a visitar profiles alheios, afim de apreciar as cores que não vejo em minha própria vida, uma lembrança remota me apraz:Por onde andará Irmã Salete Frizon?
Meu coração assim como minha face, calejado, digita o nome dela, sabendo desde sempre que seria inútil aquela breve pesquisa , pois era quase impossível encontrá-la.Afinal, seria mesmo Frizon seu sobrenome? Depois de tanto tempo, eu não podia confiar na exatidão de minha memória.Depois de tanto tempo, ela era praticamente uma desconhecida.
Mas digitei:Salete Frizon.
Um sorriso iluminado clareou a minha tela. Era a primeira vez que a via sem hábito.Estava um pouco diferente, o que era previsivel, depois de quase uma década.
Mas seu olhar, seu semblante que inspirava alegria e liberdade, não tinham sofrido nenhuma mudança.
Esqueci as minhas decepções. Minhas esperas em vão por meu pai, minha tia e por Marcela. Esqueci os calos, as porradas, as cicatrizes que a vida tinha me ensinado a aguentar.
E lembrei da amizade mais pura, mais genuína que eu havia cultivado talvez em toda a minha vida e fui tomado por uma fé incompreensível,por uma vontade de tentar mais uma vez.
A vontade era escrever "Irmã Salete", mas hesitei. Afinal ela não era mais freira,poderia soar indelicado: "Salete,não sei se vai lembrar de mim, mas eu nunca esqueci da tua amizade, e sinceramente tenho fé de que não tenha se esquecido desse teu amigo de Alto Coité."

Reli minhas palavras: Mas eu nunca me esqueci da tua amizade. Tenho fé que se recorde da minha.

E chorei por quase um minuto interrupto.

Chorei de tristeza. Chorei de saudade. Chorei de alegria. Chorei por ter a certeza de a que fé que eu julgava não mais existir,continuava viva dentro de mim, e algo me dizia que ela também não havia me esquecido. E que ainda havia motivos para acreditar na vida, na ternura e numa amizade sincera que nenhum tempo, ferida, cicatriz, calo ou porrada foi capaz de apagar.

segunda-feira, 17 de março de 2008

"Que diabos faço eu no mundo?"


Duas da manhã.
Estou farto dessa repetição de dias ruins.
Dias tristes, sem perspectivas.
Sem beleza, sem viço,sem cor.
Duas e dez da manhã.
Qual é a vantagem de viver desse forma?
Sem acrescentar nada? Sem ter coragem de correr atrás dos meus sonhos?
Sem ter esperanças de torná-los reais?
Queria dormir por um mês, um ano, um século.
Não queria acordar pra mais uma dia igual.
Mais um dia sem graça, sem luz.
Mais um dia. Menos um dia.
E é isso que me pertuba: a idéia de os dias vão passando e nada de eu ser feliz!

Duas e quinze da manhã.

domingo, 16 de março de 2008

Me deixa...


Hoje eu quero sumir,
vê se me deixa quieto.
Já me cansei de tudo:
da cama, desse teto.
Faz um favor para mim:
não me pergunta nada, não!

Hoje não tenho horas
pra voltar pra casa.
Vou levar minha chave,
bater as minhas asas.
Voar em outra direção.

Não irei voltar,
pra não olhar na tua cara.
E te confessar:
Quero me libertar das suas garras!

Não quero te ver,
para não ser, cruel o bastante
E me arrepender,em te dizer...
Me deixa só, um instante!


Hoje eu vou por aí,
não tenho rumo certo.
Vou fugir de mim,
Não te quero por perto.
Agora eu sei:
amor não é gratidão.

Não me espera acordada,
nem me telefona.
Não me cobra nada,
eu não tenho dona.
Dispenso teus cuidados,
Tô farto da sua atenção!

Não irei voltar,
pra não olhar na tua cara.
E te confessar:
Quero me libertar das suas garras.

Não quero te ver,
para não ser, cruel o bastante
E me arrepender,em te dizer...
Me deixa só, um instante!

Me deixa,
Me deixa,
Me deixa, esquece de mim.

Me deixa,
Me deixa,
Eu sempre volto no fim.

sábado, 15 de março de 2008

Virgem


Morde a minha boca
Depois me despe então
E vai,rancando tudo
Minha alma,minha roupa,minha razão.

Hoje eu não quero tudo
Me dá a tua mão
Deixei o meu escudo,
Te dou minha permissão.

Rasga o meu vestido
Escolhe uma canção
Me serve um vinho tinto
Me faz, tua refeição.

Provoca a minha pele
Desperta o meu calor
Me vira pelo avesso
Prova do meu amor.

Beija o meu sexo
Devora meu coração
Explora todo meu corpo
Me invade, tem permissão.

Fundo do Poço


A sensação que me dá,
é que a vida passou
e eu não fiz nada.
Se isso fosse um conto de fadas,
eu poderia sonhar.

Mas a realidade que me espera,
no nascer na alvorada
não me inspira,
não me afaga,
e eu me sinto tão só!

A sensação que me dá,
é que perdi meus amigos
por descuido,desequilíbrio,exagero,inquietação.
E se ontem, eles comungavam aqui comigo,
Hoje eu vivo partido,refém da minha razão.

A sensação que me dá,
é que minha vida já era!
sem esperança,
nenhuma quimera.
Qual o sentido de continuar?

Do que me adianta insistir
em não largar esse caroço,
se eu comprei uma viagem,sacanagem!
parcelada,só de ida!
para o fundo de um poço?

sexta-feira, 14 de março de 2008

Edgar


Lapida a minha poesia
Censura minha solidão.
Me conta sobre o teu dia,
que eu imagino tua respiração.

Me fala sobre São Paulo
Me escreve, me faz companhia.
Divide a minha angústia,
e multiplica a minha alegria.

Me acolhe, me entende, me escuta.
Aceita a minha condição:
Trago na alma a ternura de uma puta,
o frescor de uma ninfeta, e a ânsia de uma ladrão.

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Chico Buarque/1971

Adorno


Você não é mais
quem me faz feliz.
Admito, meu bem:
ontem, tanto eu te quis!

Hoje porém,
eu me sinto tão bem!
E parto em busca de alguém,
que não se encaixe só nos meus quadris.

Alguém que eu esteja comigo,
que possar me completar
Que seja meu amor, meu amigo,
e não só um adorno pra minha sala de estar.

Alguém que não visite só o meu corpo,
mas que preencha meu coração.
Que desperte minha fé,minha vontade
meu orgulho e inspiração.

Você não é mais,
Meu algoz,nem meu abrigo.
Crescer é claro:dói.
Mas hoje vivo tão em paz comigo!

quarta-feira, 12 de março de 2008

"Por você eu faria isso mil vezes"


Quatro e quinze da manhã. Acabo de sair de duas sessões de dvds. Comecei com o Primo Basílio, e terminei com o Caçador de Pipas. Duas adaptações fidelíssimas às suas respectivas obras literárias.
O que elas tem de comum além de uma adaptação totalmente fiel, é que no meu ponto de vista trata-se de duas histórias com final triste. Gostaria que a Luíza não morresse, assim como queria que o Amir tivesse uma segunda chance ao lado do seu irmão, Hassan.
De qualquer modo,cá estou com os olhos vermelhos de tanto chorar, principalmente pela sensibilidade, pela sutileza presente em O caçador...
"Por você faria isso mil vezes"
Não tive como não me emocionar com a coragem, a pureza e amizade verdadeira de Hassan.
Hoje o Marcelo foi eliminado do jogo, mas isso é assunto para um post inteirinho, provavelmente, o próximo.
De qualquer modo estou triste por tudo: pela saída do Marcelo, pelas histórias tristes que assisti e por minha trajetória repleta de carência, onde meus sonhos paracem impossíveis de se tornarem reais...
Mas é como diz aquele poema, cujo autora eu nem me lembro agora, e diz:

Oh, vida, triste vida
Se eu me chamasse Aparecida...
Dava na mesma!

Por hj é só.Ou melhor, por ontem é só.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Anônimo nº zero


Um certo rapaz,
Tirou a minha paz.
Tanto tempo faz,
e enfim eu esqueci...

Teu gestos,
teu riso,
teus traços,
tua cor.

Esse tal rapaz,
já não me apraz.
Nem asco eu sinto mais,
tua lembrança é indolor.

Nem febre,
nem frio,
nem fome,
nem dor.

Nem ânsia,
vazio,
inconstância
ou rancor.

Aquele rapaz foi tão vil,
egoísta,tão hostil!
Que dentro de mim,
tudo desabou.

domingo, 9 de março de 2008

Correspondência


Eu só recebo cobrança,
e nenhuma carta de amor.
Talvez isso explique minha falta de esperança,
no meu universo tão incolor!

Eu só recebo encartes
de lojas de departamento,
Reaviso de conta de água,que praga!
Sem rimas, eu não aguento.

Eu só recebo boletos.
Como posso deixar de reclamar?
Se envelope nenhum me surpreende,
com uma notícia espetacular?

Eu só recebo cobrança:
aluguel, energia, prestação do televisor.
E insistem que eu abandone minha inconstância,
que eu espere por um grande amor.

Eu só recebo faturas,linhas indelicadas:
"Caso não pague,seu crédito se esgotará".
Padaria,farmácia,escola,notícias indesejadas.
Cartão, Prefeitura,IPTU,IPVA.

Eu só recebo correspondência, que me obrigar a despertar.
A me dizer:a vida é uma cilada!
Não conte com o amor,não conte com nada.
Pague suas contas, vá trabalhar.

"Há tantas pessoas especiais..."



Creio que as imagens falam por si: pessoas novas em minha vida.Parte da minha turma do 04º ano de Comunicação Social,no meu 05º ano neste curso.E acredito também que tudo tem sua hora exata pra acontecer e por mais demogogo que possa parecer, eu insisto em acreditar que se eu reprovei,era porque ainda não estava preparado para seguir adiante. Não sem antes conhecer tantas pessoas legais, não sem antes me esforçar com dignidade afim de alçancar meu objetivo de me formar, e também participar de uma celebração que fechasse com chave de ouro, minha trajetória nessa faculdade.É muito bom participar desse processo de construção da nossa festa final, é muito bom arregaçar as mangas, somar com os meus colegas, e ter a certeza que todo esforço germinará num resultado gratificante.
As imagens falam por si: nos reunimos nesse fim de semana e fomos realizar uma ação durante a Kiaora. E apesar de muito trabalho, muita correria, o bom humor não faltou em nenhum segundo dessa pequena jornada de mais de dez horas de trabalho.
Uma prévia do que vem por aí: muito trabalho, muita luta,muitas conquistas e o grande milagre que a vida nos possibilita: de conhecer pessoas especiais, e no meu caso de recomeçar de uma queda e crer ncom muita força que os sonhos são possíveis.
E por falar em sonhos...Estava eu, fussando a página do BBB 08, quando encontrei um texto do Chico Xavier no blog da torcida do participante Marcelo, o meu participante preferido.E resolvi inseri-lo também no post de hoje.É um texto simples, mas que me envolveu, que me fez sentir mais forte.
"Você precisa ter sonhos, para que possa se levantar, todas as vezes que cair. Acreditar que a toda hora podem acontecer coisas boas e mudar o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos. Os pequenos, são a felicidade mais rápida, os grandes, lhe darão força para suportar o fracasso dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias, assim como se rega uma planta para que cresça…
Você precisa dizer sempre a você mesmo: vou conseguir, vou superar, vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você vai estar cultivando sua luz, a luz de sempre ter esperanças, que nunca podem se apagar, pois ela é a imagem que você pode passar para as outras pessoas, e através dessa luz que todos vão lhe admirar, acreditar em você e te seguir.
Mire-se na Lua, pois se você não puder atingi-la, com certeza estará entre as estrelas".

sexta-feira, 7 de março de 2008

Como se fossem minhas...


"Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo."


"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir o nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar."


"Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas."


"Fiquei ali parado, procurando alguma coisa que não estava nem esteve ou estaria jamais ali."


"Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro."

"Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."


"Preciso de um colo que ninguém dá. Mas tudo bem."


"Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas."


"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."


"Quem diria que viver ia dar nisso?"


"Fiquei tão só, aos poucos. Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. Às vezes, nos fins de semana principalmente, tiro o fone do gancho e escuto, para ver se não foi cortado. Não foi."


(Palavras de Caio Fernando Abreu).

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ensaio sobre o recomeço...


Dizem que nunca é tarde para recomeçar.Por um lado, eu concordo com esse ditado,mas por outro eu acho que chega uma hora em que se fica realmente tarde. E antes que meu tempo de fato expire, cá estou eu pronto para recomeçar de novo, disposto a cumprir as metas que estabeleci na virada no ano:emagrecer, estudar mais, ganhar masssa muscular, estudar mais de novo, ler bons livros, ver bons filmes, rezar...Enfim,fazer não somente uma reeducação alimentar, mas física, mental, e espiritual. Ler coisas que me acrescentem, ouvir, ver, informações que me edifiquem, que me tornem um ser humano melhor,com mais conteúdo e menos alienado,ignorante,supérfluo.Entrar em sintonia com Deus, valorizar a natureza à minha volta, o céu, o sol, o sal que tempera minha comida, estar mais ao lado das pessoas que me amam, que querem o meu bem estar e esquecer aquelas que não somam na minha caminhada.Esquecer as pessoas pequenas, as coisas pequenas.Não deixar que a realidade, a dificuldade do alcance de minhas conquistas, me torne um cara mesquinho ou medíocre.Não desistir dos meus sonhos, acreditar neles,por mais impossíveis que ainda pareçam ser.Renovar minhas forças a cada novo dia, acreditar na minha capacidade e agir,porque sem ação, teoria nenhuma faz sentido.Não tentar atropelar o tempo, deixar que a vida se encarregue de me proporcionar bons encontros.Esperar pela pessoa certa, na hora certa, sem ansiedade, sem pressa, sem nada que não seja saudável, bonito e verdadeiro.
Que seja pérpetuo ou efêmero, mas que tenha beleza e verdade.
E assim sendo, automaticamente também, saudável será.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Dias difíceis de viver


Tem dias em que tudo parece ser mais difícil.Hoje acordei atrasado,tomei um banho apressado, e olha que sou do tipo que detesta banhos ligeiros.Eu gosto mesmo é de cantar do meu jeito desafinado mais ou menos umas quatro faixas do último cd do Roberto,enquanto esfrego o meu imenso corpo com uma daquelas esponjas naturais que sempre me deixam com uma tremenda coceira após o banho.Gosto de ouvir o barulho da água forte e quente em minhas costas e hoje para completar o chuveiro queimou e o meu banho foi gelado.
Ainda por cima não sei aonde coloquei o recarregador de bateria do celular.
Se não bastasse todos esses acontecimentos aparentemente normais e rotineiros, fui chamado austeramente na sala do chefe para responder a uma pergunta: "Porque bendito motivo eu cheguei atrasado justo na manhã em que tínhamos uma reunião marcada para as oito em ponto?".Tentei me explicar enquanto o ponteiro do relógio registrava quase nove e quarenta da manhã.A minha resposta não foi das mais convincentes e nem poderia ser, afinal infelizmente arranjar uma boa desculpa não é nunca foi uma das minhas qualidades mais tangíveis e, depois de um começo de dia tão azarado tentei me controlar ao máximo para agir com calma e simpatia , com pessoas que por não terem em quem despejar seus anseios e frustrações de suas intimidades ,acabam despejando toda suas insatisfaçõe pessoais no serviço o qual lhes presto, e tentam quase que despercebidamente me convencer que seus fracassos psico-amorosos-profissionais são a conseqüência de meu produto em suas vidas.
Eu vendo biscoitos.Trabalho numa monstruosa fábrica de biscoitos, e acredito que única conseqüência que os meus "deliciosos" Crakers possam exercer sobre a vida de alguém, seria uma tremenda dor de barriga se consumidos com gulodice e exagero.
Nem todos os dias de minha vida foram assim,pois não sei se possa lhe interessar ou não,mas num tempo que ficou bem para trás eu era apenas um garoto apaixonado pela garota mais linda da minha escola, um garoto teimoso e bagunceiro que imaginava que o maior desafio de sua existência, seria ter coragem para revelar todo o seu amor por aquela menina tão cheia de beleza e encanto que nem parecia suspeitar de minhas intenções.
Eu tremia e suava frio sempre que tentava lhe dizer sobre a minha paixão e acabava sempre adiando para uma próxima vez. E mal eu sabia que aqueles era dos medos o menor que surgiria em meu caminho,porém não podia sequer imaginar que minha reação diante dele significaria tanto no meu destino, na minha identidade.
Não tive coragem de me declarar a dona daquele olhar tão doce e sorriso tão verdadeiro que nem o tempo foi capaz de apagar e acabei a deixando partir sem antes ao menos como de brincadeira lhe roubar um beijo, um selo que fosse, e lhe perguntar se poderia se casar comigo quando crescesse.
Nunca vou me perdoar por isso.Nunca vou me perdoar por esses dias quentes de verão,quando saio do trabalho antes do sol se pôr e me apresso a ir para a casa, afim de não perder o capitulo da novela das seis.Talvez se eu tivesse sido menos covarde e assumido os meus sentimentos, e corrido atrás do eu verdadeiramente julgava importante e essencial para minha vida, eu não fosse esse fracassado vendedor de biscoitos mau remunerado psico- amoroso-e financeiramente, e tão perturbado tal qual os clientes que consomem os meus produtos.
Quem sabe o responsável por tudo, fossem realmente os biscoitos.Ao menos seria bem mais fácil assim.
Na verdade nunca sequer experimentei os biscoitos que comercializo, e olha que temos vários sabores: baunilha, chocolate,tradicional,pizza,amanteigado...Enfim, sem perceber eu vou repetindo esses dias difíceis em meu calendário.É como se a imagem daquela garotinha me sorrindo, me perseguisse, me gritasse, querendo saber porque não me declarei.
Faço faculdade a noite.Meu grande sonho era estudar filosofia.Não saberia me ver em outro profissão.Se recuperar as minhas notas, daqui há dois anos me formo.Em Biologia.
Trabalho aqui há cinco anos.Nunca tive a chance de conhecer a esposa do meu chefe,nem por fotos ou algo assim.Recebi uma promoção por me destacar como o VENDEDOR DE BISCOITOS DO MÊS, e fui convidado para um jantar em sua casa. Ela é realmente uma mulher bela e deslumbrante, e por um momento imaginei que nos conhecêssemos de algum lugar.No meio da noite, ela fez questão de ir em convidado em convidado para parabenizar pela promoção.Parece ser diferente do marido, um sujeito austero e sem brilho;na minha vez de receber suas congratulações,ela ficou estranha e cheguei a pensar que não tivesse ido com a minha cara.Tudo bem, talvez não gostasse de vendedores de biscoitos gordos...
Me enganei, o que ela fez foi me analisar e instantes depois num desabafo inesperado me confessar que eu lhe lembrara um garoto teimoso e bagunceiro que fora o seu amigo de infância, do qual nunca conseguira esquecer.
Senti uma pontada no peito.Eu não podia acreditar no que estava prestes a acontecer.
Escapuliu de seus lábios carnudos e rosados mais um desabafo:Aquele garoto tinha sido o primeiro e grande amor de sua vida.
Perguntei o seu nome.
Marcela,ela disse.
Outra pontada e comecei a chorar.
Lembrei do meu amor que tinha ficado para trás.
Aquela garotinha também se chamava Marcela.
Tem dias em que fica difícil continuar a viver.

terça-feira, 4 de março de 2008

E o urso permanece na casa...


Toda vez que começa um BBB eu prometo a mim mesmo: dessa vez não acompanhar. E toda vez é a mesma história: eu acabo me envolvendo no jogo e como leonino passional que sou, acabo sofrendo como um torcedor fanático em final de Copa do Mundo, pelo meu canditado favorito. Meu preferido desta vez,é o mineiro Marcelo, que segundo alguns amigos meus tem algumas semelhanças comigo. Semelhanças à parte, o fato é que me identifiquei com a maneira autêntica dele dizer as coisas, de escancarar as feridas, correndo o grande risco de ganhar a antipatia do Brasil inteiro, uma vez que a da casa ele já conseguiu ganhar. E o mais admirável de tudo isso, é que mesmo sendo isolado pelos outros participantes, Marcelo não mudou sua tática, não recuou tampouco passou a deixar de vomitar seus pensamentos.Sim, eu estava fervorosamente torcendo por ele, e quem me dera ser dono de uma sapiência como a dele e de uma capacidade de articular, de expor suas idéias com tanta coragem, com tanta certeza nas suas convicções. No fundo apesar da minha torcida, eu temia por sua eliminação que já era dada como certa, uma vez que os programas anteriores comprovaram que o brasileiro não costuma receber muito bem, pessoas verdadeiras por demais, que se despem das suas máscaras e botam a cabeça a prêmio.Mas dessa vez foi diferente. O público brasileiro reconheceu que ele,Marcelo, não é o vilão da história, tampouco o mocinho, ele é apenas um ser humano com um turbilhão de defeitos, porém com uma virtude que compensa todas suas falhas:ele joga com a verdade, sem se esconder atrás de um personagem politicamente correto, generoso,bonzinho e educado demais da conta. Marcelo preferiu nos revelar quem de fato ele é: surtado, com mania de perseguição,ou sei lá mais quantos defeitos que as pessoas enxergaram nele, mas acima de tudo ele nos revelou uma pessoa de verdade, e num jogo como o Big Brother em que o perfil dos vencedores começa a ficar presivível a cada edição, o que acaba conduzindo os novos personagens a vestirem a máscara de bonzinhos no afã de caírem das graças do publico, nada mais saboroso que assitir a esse realty show com um participante real de verdade.
Ou seja, Marcelo além de diferente,tem personalidade, é bonito,divertido,inteligente e existe de verdade. O oposto da maioria do outros " brothers" que se esforçam para parecerem acima do bem e do mal, que tentam vestir uma máscara de heroínas da novela das seis.
Mas pelo visto entre a Sinhá Moça o e o personagem de carne e osso, rotulado de vilão, porém totalmente crível, o Brasil resolveu ficar com a segunda opção.
Melhor assim. Dessa maneira eu tenho motivos pra continuar vendo o programa e o BBB,pode de fato continuar sendo considerado um really show, afinal existe um cara de verdade lá, um cara que não é apenas mais um fantoche,como a maioria dos outros participantes, um cara que incomoda, que pertuba, que desperta nossa atenção, justamente porque existe de verdade.
E parabéns pra mim também que fui aprovado no vestibular de artes cênicas!!!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Contrário


Direi que não.
Mas ao te ver,
meu coração se perderá.

Se há razão, de ser sem ti?
Direi que sim.
Mas sei:não há.

Não há beleza
na minha poesia,
sem a alegria que tua presença me dá.

Falta-me cadência e sintonia.
Sobra - me a agonia,
se tu não estás.

Direi que sim.
Que te esqueci.
Mas apodreci, sem tua emoção.

Não vejo motivos que façam-me sorrir.
Se ainda sofro sem ti?
Admito que sim.Mas direi que não.