terça-feira, 28 de outubro de 2008

" A sombra do futuro, a sobra do passado, assombram a paisagem..."

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.


Hoje vou deixar que essa letra de uma canção do Lenine, diga o que eu não sei dizer, mas consigo como ninguém sentir.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sobre saudade, culpa, tristeza, e pretérito mais que imperfeito.


Algumas pessoas tem vocação para a tristeza, eu sou uma delas.
Definitivamente, independente da geografia ou do clima, continuo triste, com saudade de tudo que foi e não volta mais, com uma sensação que afastei pessoas, que atrapalhei a vida daqueles que amo, que fiz tudo errado, que meti os pés pela mão, e que nada tem conserto.
Sou tomado por um vazio tão grande dentro de mim, que chego a perder a respiração, quando me deparo com o eco do buraco que existe dentro da minha alma.
Não sei até quando vou saber lidar com essa confusão, com esse emaranhado de sentimentos, sensações, emoções, que volta e meia despertam dentro de mim, e me paralisam, me sufocam.
Me sinto culpado por tanta coisa.
Culpado por perdoar quem não devia perdoar. Mas quem foi disse que a gente não " deve" perdoar? Se sem o perdão o maior prejudicado é que nutri a mágoa? Mas me mesmo assim, me sinto culpado por estampar minha fragilidade, por me importar com quem nunca se importou comigo de verdade. Daí um leão toma conta de mim, e eu quero voltar atrás, desconsiderar o meu perdão, desconsiderar que admiti precisar de quem não precisa de mim, de quem não se sente arrependido por tudo de ruim que me fez, deixando de fazer muito por mim.
Porque quando abro mão dessa mágoa, é como se tivesse abrindo mão da única arma que tenho para ferir quem sempre me feriu.
E perdoar,gesto que até outrora me fazia sentir mais leve e talvez até menos infeliz, começa a servir como termometro para medir minha falta de vergonha na cara. Porque se eu tivesse vergonha não teria perdoado. Pelo menos é isso que ouço do ecoar do buraco que lateja dentro da minha alma inconstante, confusa e triste.
Devo ser depressivo cronico, sei lá.
Não sei.
Só sei que sou tomado por uma saudade de quando era pequeno, sou tomado por uma vontade de ter oito anos ainda, e ser menos nojentinho, chato, antipático, cruel, ruim, de ocupar menos espaço e de atrapalhar menos a vida dos meus a minha volta.
Mas o tempo não volta.
E toda chatice, antipatia, teimosia, intolerancia, prepotencia, crueldade e egoísmo que espalhei numa fase da minha vida que devia espalhar só coisas bonitas e suaves refletem na minha vida vida e na vida daqueles que deveria ter feito bem.
Não sei até que ponto uma criança pode ser isenta de culpa devido a sua imaturidade.
Eu pelo menos não posso ficar isento.
Eu sou culpado.
E minha sentença, talvez seja essa:acordar a cada dia mais triste, vazio, inconstante, inseguro com a sensação de saudade, culpa, tristeza, por culpa de um pretérito que eu tornei imperfeito, mas que agora olhando para trás, tinha tudo para ter sido senão perfeito( porque perfeição talvez não exista) mas certamente bonito, sereno , tranquilo e feliz.
Se eu fosse fazer uma lista de pessoas a quem deveria pedir perdão, ela iria de A a Z e incluindo meu próprio nome.
Porque nessa atmosfera de fazer tanto mal, não poupei nem mesmo a mim.
Aliás não só não poupei como me transformei no meu verdadeiro algoz.
Para terminar uma frase que li em algum lugar, cujo autor não me lembro o nome:
" Foges de ti na companhia de si próprio. Não é de clima que precisa mudar. É de alma".

Ps: A falta de acentos, é por causa do teclado com defeito.

Os Imprescindíveis.

Há homens que lutam por um dia e são bons.Há outros que lutam por um ano e são melhores.Há outros, ainda, que lutam por muitos anos e são muito bons.Há, porém, os que lutam por toda a vida,Estes são os imprescindíveis.


Bertolt Brecht.

sábado, 25 de outubro de 2008

Sobre cartão postal,ócio, coca-cola, sorvete e uma canção...


Para quase tudo na vida realmente dá-se um jeito. Imagine que estou no Rio de Janeiro, sem camera digital, e consegui utilizar o meu ingles caótico para me comunicar com uma francesa de nome Emma, que passeava pelo arpoardor e gentilmente tirou essa foto minha, e depois me encaminhou por e-mail.
Os meus dias aqui no Rio não andam sendo tipicamente de um turista trivial. Para ser mais claro, há dias que nem ponho o pé para fora de casa, como hoje por exemplo que acordei as 15 hs da tarde e fiquei vendo tv, navegando na internet e tomando sorvete com coca-cola.
Até esqueço nessas horas que estou na Cidade Maravilhosa, e há qualquer momento parece que vou ter que ir no Shoping Pantanal comprar pão no Modelo.
Mas isso talvez seja outro ponto bacana dessa experiencia na cidade Maravilhosa. A descoberta de que independente da geografia, a beleza de alguns dias está justamente eu curtir o ócio, sem ansiedade, tristeza, ou apatia.
Sem necessariamente estar bronzeado, tomando banho de mar ou bebendo água e coco.
Envolvido pelo ócio e navegando pela internet, acabei ouvindo uma música interpretada pela Mart'nália de autoria do Djavan em parceria com Arthur Maia.
Não vou comentar sobre a letra.
Ela fala por si:


Alívio

Aturei andar de bar em bar

Na contra mão pra seguir a sua direção

Vou à praia e todos são iguais

queimados ou não

Sempre a procurar sem direção


Aturdido, sem sentido não sei onde estou

Toda hora é como agora

É viver só pra te esperar


Eu queria tanto descansar meu coração

Uma nova má noticia não

Seja lindo amor bem-vindo
E cresça como for


Me apareça e faça o seu show

Para eu respirar e ter alivio

E nessa condição vou poder

Me situar no seu convívio


O colorido que está no lado azul

Preto branco, qualquer cor

Mas sempre vivo

Sobre a última sexta...




Ontem fui ao teatro Leblon ver a peça Ensina-me a viver com a Glória Menezes e o Arlindo Lopes.Não tem como não se emocionar com a história do confuso jovem Harold que descobre o amor através de uma mulher de quase oitenta anos, a doce e espirituosa Maude.


Fernanda de Freitas também integra o elenco e brilhantemente interpreta as tres pretendentes de Harold, encaminhadas por uma agencia de matrimonio.

A peça fala sobre a importancia de se viver uma dia de casa vez, e se viver de verdade.


Experimentando coisas novas, se permitindo recomeçar,se dando o devido valor.


Depois acabei esticando minha noite cultural indo conferir Pássaro da Noite, um monólogo interpretado corajosamente por Luana Piovani.


Particulamente não gostei, não consegui me envolver com os dramas de uma mulher que bebe tanto que não sabe exatamente aonde foi párar, numa noite de sexta-feira.A impressão que tinha a todo momento é que Luana, interpretava ali em diversos trechos do monólogo, o papel dela mesma.


Não era dificil ter essa sensações em trechos como o que ela dizia que se achava " foda", que só viriam ela pelada se pagassem em dólares, dentre outras frases que poderiam ser ditas tranquilamente por Piovani.


De qualquer modo, é inegável a coragem de Luana em encarar uma platéia, num monólogo cujo o único elemento cenico, é o próprio texto, durante mais de 60 minutos.


É inegável que ela se trata de uma mulher que busca novos e grandes desafios, e que não procura o caminho mais fácil, porque como o próprio texto do release da peça diz: ela poderia estar fazendo novelas, minisséries, ganhando até mais dinheiro, mas não, opta pelo caminho mais dificil .


Portanto se a peça não mexeu comigo da maneira que eu gostaria,acabou fazendo com que eu que nunca fui tão fã de Luana, ( talvez influenciado pela Mídia que a taxa como mau educada e prepotente)saísse daquela sala admirando não somente sua beleza, mas sua ousadia e coragem.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Quem dobra a esquina do pecado, sempre dá uma volta ao quarteirão?

Não tenho tanta certeza disso.
Não mesmo.
Algumas pessoas realmente não tem o dom ou estrutura suficiente para dar mais uam volta ao quarteirão.E eu certamente sou uma delas.
Tento me lembrar daquela frase estúpida que diz: Acorde arrependido, mas não durma na vontade. E quando essa frase vem e me deixa paralisado, porque a culpa tem essa capacidade de paralisar, eu me lembro de uma terceira que me diz para se arrepender somente do que não fiz.
É, talvez se apegar nessas filosofias seja uma maneira de deixar a vida mais simples.
De qualquer modo, o que me salva mesmo nessas horas onde a cabeça entra em pane e o único parafuso que me resta enferruja, o que me salva mesmo são meus amigos, aqueles de verdade, em quem eu confio e me são tão caros!
Ontem fui assistir ao musical A Noviça Rebelde. Foi lindo.
Essa semana ainda quero ver o Set.
Ainda quero ver o Cristo, ir a Angra, andar de bondinho, de pedalinho na Lagoa, talvez passar um dia em Búzios e por mais impossível que seja , tentar mais uma vez emagrecer.
Coisas tão simples eu sei...
Mas derrepente me descubro mais simples, do que imaginava ser capaz de ser...
A cidade grande, a saudade dos meus, me desperta isso: essa compreensão de as coisa simples são mais valiosas...
Então bola pra frente Herton Gustavo!
Se eu cair, que eu trate de me levantar e seguir adiante...sem esquecer daquele outra frase que diz: Se há vida, é para ser vivida.

domingo, 19 de outubro de 2008

Então o jeito é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo.

A sensação que eu tenho é que as pessoas olham através de mim. E não para mim. Atingi uma proporção fisíca tão gigantesca, fiquei tão imenso, que pareço estar sofrendo efeitos colaterais, que de uma hora pra outra me tornei invisível como ser humano que também quer conquistar e ser conquistado.
Não sei, talvez tudo isso seja coisa da minha cabeça inscontante, melodramática e eventualmente vazia. De qualquer modo, estou no Rio de Janeiro.
Uma cidade cercada por opções de lazer, de entretenimento, e de muitas pessoas.
Umas interessantes, outras nem tantos. Outras desenfreadamente irresístíveis.
O mais curioso é que mesmo estando em outro cenário, com outras personagens, consigo a proeza de permanecer na mesma vidinha presívivel: comendo morangos com leite condesado e vendo a vida dos outros, pelo orkut.
Se bem que não.
Ver a vida dos outros também perdeu a graça, porque descobri que não eram vidas tão interessantes. Talvez mais interessantes que a minha, mas não mais interessantes quanto as das pessoas irrestíveis que encontro pelo calçadão de Copacabana ou numa rua do Leblon.
Sendo assim, enquanto não abro mão definitivamente dos morangos com leite condesado, vou aos poucos deixando de me tornar expectador de vidas que agora descubro pouco interessantes de alguns dos meus contatos virtuais, e passo a descobrir um novo universo à minha volta, onde as pessoas são ainda mais cheias de mistérios, e me despertam ainda mais tesão e curiosidade.
E ainda que não consigam me enxergar. Ou talvez até me enxerguem e caiba a mim me livrar dessa sensação de invisibilidade . De qualquer modo, ainda que olhem através de mim, ao invés de olharem para mim, eu me arrisco, eu decido enfiar o pé no acelerador e sair sair vivendo.
Ontem uma festa.
Hoje outra.
Alice também tem me inspirado a sair por aí vivendo, literalmente.
Alice talvez seja um pretexto.
De muitas vontades camufladas em mim.
E como diz a música: Se eu quiser me convencer, tudo pode ser um bom motivo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Espelho, espelho meu, existe alguém mais Herton Gustavo do que eu?

Hoje faz vinte dias que eu cheguei no Rio. Ainda não emagreci, ainda não arranjei emprego, não visitei os pontos turísticos,não fui ao teatro, nem tirei fotos tendo o mar como pano de fundo.
De qualquer modo, devo ficar aqui mais tempo q o esperado.
Exatamente até o dia 25 de novembro quando presto vestibular na Unirio.
Talvez ainda esteja em tempo de eu visitar o Cristo, tomar sol em Ipanema, ver muitas peças, e emagrecer com a ajuda da paisagem do calçadão de Copacabana.
Hoje faz vinte dias que o Rio deixou de ser uma personagem das páginas de revistas de se tornou real.
Assim como as paisagens que eu cantava nas letras de músicas, que eu via nas novelas do Manoel Carlos, se materializaram na minha frente.
É tudo menos glamouroso do que parecia.
Mas também é menos violento do que eu lia no jornal.
De qualquer modo, ainda estou vazio, sozinho e estranho.
Estou passando uns dia no apartamento da Lívia e do Renato, enquanto acho um quarto pra aluagar.
A vida é cheia de surpresas mesmo.
E a ajuda realmente ás vezes vem da onde a gente menos imagina.
Sempre serei grato a eles por esse gesto.
Não precisei viver a experiência de dividir um quarto com mais quatro pessoas, e isso graças a a a gentileza desses dois colegas, que estão se tornando dois novos amigos.
No mais, continuo em busca de um lugar pra morar, fazendo cadastros em agências de figuração e tentando entender o que se passa dentro de mim.
Tentando descobrir aonde realmente eu serei feliz.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre matemática, teatro e outras dúvidas...

Não consigo acompanhar essa matemática de pessoas à minha volta. É tanta gente pelas ruas, nos shopings centers que minha cabeça chega a ficar rodando.
Hoje fui à minha primeira aula de teatro, na zona norte do Rio, isso depois de ter prestado o vestibular da Univer Cidade, e foi uma experiência bacana.
Mas não sei, se ainda é esse o curso.
Também não sei ainda se essa é realmente a cidade aonde eu serei feliz para sempre .
Não sei até que ponto vale a pena lutar para ser reconhecido por um talento que nem eu tenho certeza se tenho.
Até que ponto vale a pena ficar longe da minha família e das poucas pessoas que amo de verdade.
Das pessoas que são realmente poucas.
Não sei.
Não sei.
Não sei.
O que sei é que estou vazio como jamais imaginei ser capaz de ficar.
E torço para que tudo se esclareça dentro de mim.
Amanhã é e semana começa outra vez, vou justiticar meu voto, comprar um jornal e ver as ofertas de emprego.
Ou começar fazer as malas e me organizar para voltar para casa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O mar é ilusão amor, a vida é um monte de problemas...

Eu já havia cantado essa pedra, em alguns dos meus poemas.Que um dia finalmente chegaria ao Rio, e me decepcionaria, e sentiria saudade de casa, dos meus, da minha vida.E cá estou triste, vazio e sozinho, perdido num Rio que não me permite acreditar que posso alcançar o meu tão acalentado sonho de ser ator de televisão.Hoje faz uma semana que cheguei,e apesar do susto inicial, do terror da possível violência que esperava ter diminuido, estou cada vez menos certo de que aqui é meu lugar.Mas o que mais me apavora é a possibilidade de se eu não encontrar meu lugar aqui, viver vagando como um zumbi num universo onde ser feliz será impossível se eu não for ator.Apesar do medo da violência, e de um lado feio e sujo que a gente não vê pela TV, a cidade tem sim sua grande parcela de beleza, e encanto, as pessoas são sociáveis e gentis e o mar é capaz de inspirar muita poesia sim.Mas a saudade dos meus, o conforto de casa, a solidão tão maximizada e falta de dinheiro, me impedem de seguir adiante.Na teoria encarar tantas sacrificios por um sonho é até possível. Na prática porém, a idéia é insustentável.Trabalhei dois dias, em um livraria do Leblon, frequentada em sua grande parte por atores, cantores dentre outros artistas.Mas a carga horária de 08hs na madrugada, não resistiu ao brilho do elenco de clientes, tampouco ao charme do bairro que eu sonhava em gravar uma cena de novela, e o salário que não seria suficiente para eu bancar minha dignidade na Cidade Maravilhosa, contribuiu para que eu pedisse as contas e desistisse da empreitada de ter como cliente de Caetano Veloso à turminha da Malhação.Depois de uma semana obcecado em arranjar um emprego, conseguir um lugar legal e mais reseravado pra morar( estou há sete dias divindo moradia com mais 10 pessoas) e tentando fazer contatos para descontos em curso de teatro, resolvi estender as chuteiras e fazer um pouco de turismo antes de ir embora de uma vez por todas.Já que estou aqui, é melhor que ao menos eu curta essa cidade ,antes de ir embora.Antes de voltar para a minha vida previsível, sem chances de ser feliz, aonde ao menos eu tenho o calor dos meus por perto e um quarto só pra mim.