terça-feira, 11 de novembro de 2008

Uma fenix chamada Luana.


Dias desses fui assistir ao Monólogo Pássaro da Noite, estrelado por Luana Piovani.
O " dias desses" para ser mais exato foi um dia após a estréia do espetáculo.
Eu tenho uma queda por monólogos, admito. Considero um ato de coragem e muita ousadia de um ator que se propõe ao desafio de encarar sozinho uma platéia.Porque ou ele e o texto são muito bons, ou tudo está perdido. E imagino o quão deva ser constragedor estar em cima de um palco sozinho, diante de uma platéia que começa a bocejar.É uma exposição arriscada. É só mesmo quem tem coragem, ousadia e confiança no próprio talento topa uma empreitada dessas.
E confesso que estava ansioso para ver finalmente Luana Piovani de perto e testemunhar sua perfomance em cima de um tablado, especialmente nesse caso que estaria ainda mais exposta, uma vez que se tratava de um monólogo.Queria descobrir se além de corajosa e audaciosa Luana era boa o suficiente para dar conta de um monólogo. Não que minha opinião fosse fazer alguma diferença em sua vida. Mas mesmo assim, eu estava razoavelmente ansioso para conferir se aquela atriz rotulada muitas vezes pela imprensa por impaciente, metida e mal humorada, tinha pelo menos motivos suficientes para "justificar" sua fama de prepotente.E para ser mais sincero, se era tão bonita realmente quanto parecia na televisão e nas inúmeras páginas de revistas.Afinal,nunca se sabe, pois dizem que na TV todo mundo fica bonito, e hoje em dia com photoshop...
O jeito era conferir pessoalmente, e lá estava eu, ansioso e eufórico ao mesmo tempo por estar finalmente prestes a desvendar Luana Piovani.
A primeira vez que a vi foi na novela Quatro por Quatro, interpretando uma moça do bem e engraçada;e apartir dali passei a admirá-la.Depois a reencontrei em Malhação e novamente em Suave Veveno,interpretando uma mocinha suave e romantica. E depois voltei a ve-la em alguns especiais, nos filmes O Homem que copiava, O casamento de Romeu e Julieta ,Zuzu Angel e na Minissérie O Quinto dos Infernos. Acompanhava pelas revistas suas recusas a participar de algumas novelas, suas investidas com sucesso no teatro infantil e alguns episódios onde ela era tida como esquentadinha e pouco sociável.Certa vez ouvi de um amigo, que tinha ido assistir a Vera Fischer no teatro, e no final da peça foi falar com ela e tirar uma foto.
- Nossa, como a Vera é simpática. Já a Luana Piovani, dizem que nem foto ela gosta de tirar com fãs.
Até aonde sei meu amigo nunca viu Luana pessoalmente, mas de qualquer maneira, o melhor era levar em consideração aquele arsenal de informações que as revistas e meu amigo diziam sobre ela e buscar outra atriz para admirar, porque seria muito frustante se um dia eu a visse e ela me tratasse de uma maneira hostil.
Não consegui párar de admirar Luana, mas com suas aparições cada vez mais esporádicas na tv, ficou mais fácil administrar minha admiração,afinal todo sentimento precisa ser alimentado;ainda que confesso, vibrasse toda vez que via uma notinha dizendo que ela tinha sido convidada para um determinado papel,mas minha alegria ia por água abaixo, quando dias depois outra notinha declarava que a atriz recusara o papel.
A última vez que li isso foi um mes antes da estréia da novela Pé na Jaca, onde ela de acordo com uma revista viveria a personagem Vanessa, mas para minha decepção recusara o convite.
E agora eu estava diante de Luana, ou melhor ela estava diante de mim, que fazia parte de uma platéia que ficou imóvel quando ela pisou no palco,e se calou diante da luz interior que envolvia toda a sua beleza.
O monólogo narra o drama de uma mulher que numa noite de sexta-feira, depois do expediente, se droga e bebe até perder a consciencia e cair num vazio profundo, sem saber aonde está, sem saber o que realmente lhe aconteceu.
O desespero, a tristeza, a solidão e o vazio acompanham a personagem até o final da peça através de um texto visceral, sincero e poético.
Em alguns momentos da peça eu tive a sensação de reconhecer traços de Luana na personagem,que era tomada no auge de sua embriaguez por uma confiança desmedida,por um falta de pudor em dizer tudo que quisesse...
E ao mesmo tempo reconhecia traços da minha própria persona, na solidão, na ansiedade, no desespero e vazio da personagem; que tantas vezes em noites de sextas ou em dias de terça podem possivelmente me assaltar.
E via também meu melhor amigo, minha tia , minha vizinha...
O monólogo falava acima de tudo do solidão, do vazio de uma pessoa.
Fosse ela preta, branca, pobre ou rica, homem ou mulher.
Era uma pessoa que estava ali, virando sua alma ao avesso, despindo seus fantasmas, num mergulho profundo de uma noite escura de sexta-feira.
Luana não fica nua apenas da cintura pra cima durante a peça. Luana se despe totalmente. Se arreganha, muda de cor, se permite, se entrega.
Dos seus olhos saem faíscas azuis, verdes,vermelhas, ígneas.
E a dor, a aflição, o vazio, a solidão, a libido, a ousadia, o lirismo, a poesia e o despudor da personagem pertuba, provoca, fascina.
E eu que adentrei aquela sala de teatro no afã de desvendar Luana, sinto que ainda que ela permanecesse ali em frente a mim, durante a vida inteira, não seria jamaz capaz desse feito.
Luana é " indesvendável", como só as pessoas mais interessantes são capazes de ser.
Luana é ainda mais linda do que aparece nas revistas e na tv.
É majestosa, exuberante,intensa e voraz.
Luana não é uma personagem.
É de carne, osso, e emoção.
Luana, não é impaciente com os fãs, tampouco metida ou esquentadinha.
Luana é autentica,confia no próprio taco, diz o que pensa. Pensa antes de dizer.
Luana é audaciosa, corajosa e talentosa.
E mesmo sem precisar provar nada pra ninguém, prova naturalmente mais uma vez nesse monólogo que é capaz de alçar voos cada vez maiores.
Luana sublima, surpreende ,emociona,e definitivamente arrebata.
Porque é um Pássaro. Do dia, da tarde e da noite.
Hoje a vi numa pizzaria do Leblon, com um grupo de amigas.
Poucos dias depois de um episódio pessoal que se tornou público nas manchetes das últimas revistas.
E ela estava lá, linda, feliz, forte, seguindo em frente.
Tal qual uma verdadeira Fenix, que ressurge das cinzas.
E fascina, e inspira.
Uma verdadeira fenix, chamada luana.

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