sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Último Capítulo.

Última postagem. Porque sim, e por que não.
Porque sim. Porque está passando da hora de por um fim nesse blog rosa, fresco,enjoadinho...
Porque não. Não quero mais levar essas perguntas, hipóteses adiante.
Ano que vem eu volto, em outra página, em outras cores, e começo um novo ciclo outra vez.
Mas agora chega.
Último capítulo. Nem lágrimas, nem nós. Igual aquele xampu.
Sem maiores explicações. Sem grandes palavras.
Cansei.
Basta.
E fim.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Uma fenix chamada Luana.


Dias desses fui assistir ao Monólogo Pássaro da Noite, estrelado por Luana Piovani.
O " dias desses" para ser mais exato foi um dia após a estréia do espetáculo.
Eu tenho uma queda por monólogos, admito. Considero um ato de coragem e muita ousadia de um ator que se propõe ao desafio de encarar sozinho uma platéia.Porque ou ele e o texto são muito bons, ou tudo está perdido. E imagino o quão deva ser constragedor estar em cima de um palco sozinho, diante de uma platéia que começa a bocejar.É uma exposição arriscada. É só mesmo quem tem coragem, ousadia e confiança no próprio talento topa uma empreitada dessas.
E confesso que estava ansioso para ver finalmente Luana Piovani de perto e testemunhar sua perfomance em cima de um tablado, especialmente nesse caso que estaria ainda mais exposta, uma vez que se tratava de um monólogo.Queria descobrir se além de corajosa e audaciosa Luana era boa o suficiente para dar conta de um monólogo. Não que minha opinião fosse fazer alguma diferença em sua vida. Mas mesmo assim, eu estava razoavelmente ansioso para conferir se aquela atriz rotulada muitas vezes pela imprensa por impaciente, metida e mal humorada, tinha pelo menos motivos suficientes para "justificar" sua fama de prepotente.E para ser mais sincero, se era tão bonita realmente quanto parecia na televisão e nas inúmeras páginas de revistas.Afinal,nunca se sabe, pois dizem que na TV todo mundo fica bonito, e hoje em dia com photoshop...
O jeito era conferir pessoalmente, e lá estava eu, ansioso e eufórico ao mesmo tempo por estar finalmente prestes a desvendar Luana Piovani.
A primeira vez que a vi foi na novela Quatro por Quatro, interpretando uma moça do bem e engraçada;e apartir dali passei a admirá-la.Depois a reencontrei em Malhação e novamente em Suave Veveno,interpretando uma mocinha suave e romantica. E depois voltei a ve-la em alguns especiais, nos filmes O Homem que copiava, O casamento de Romeu e Julieta ,Zuzu Angel e na Minissérie O Quinto dos Infernos. Acompanhava pelas revistas suas recusas a participar de algumas novelas, suas investidas com sucesso no teatro infantil e alguns episódios onde ela era tida como esquentadinha e pouco sociável.Certa vez ouvi de um amigo, que tinha ido assistir a Vera Fischer no teatro, e no final da peça foi falar com ela e tirar uma foto.
- Nossa, como a Vera é simpática. Já a Luana Piovani, dizem que nem foto ela gosta de tirar com fãs.
Até aonde sei meu amigo nunca viu Luana pessoalmente, mas de qualquer maneira, o melhor era levar em consideração aquele arsenal de informações que as revistas e meu amigo diziam sobre ela e buscar outra atriz para admirar, porque seria muito frustante se um dia eu a visse e ela me tratasse de uma maneira hostil.
Não consegui párar de admirar Luana, mas com suas aparições cada vez mais esporádicas na tv, ficou mais fácil administrar minha admiração,afinal todo sentimento precisa ser alimentado;ainda que confesso, vibrasse toda vez que via uma notinha dizendo que ela tinha sido convidada para um determinado papel,mas minha alegria ia por água abaixo, quando dias depois outra notinha declarava que a atriz recusara o papel.
A última vez que li isso foi um mes antes da estréia da novela Pé na Jaca, onde ela de acordo com uma revista viveria a personagem Vanessa, mas para minha decepção recusara o convite.
E agora eu estava diante de Luana, ou melhor ela estava diante de mim, que fazia parte de uma platéia que ficou imóvel quando ela pisou no palco,e se calou diante da luz interior que envolvia toda a sua beleza.
O monólogo narra o drama de uma mulher que numa noite de sexta-feira, depois do expediente, se droga e bebe até perder a consciencia e cair num vazio profundo, sem saber aonde está, sem saber o que realmente lhe aconteceu.
O desespero, a tristeza, a solidão e o vazio acompanham a personagem até o final da peça através de um texto visceral, sincero e poético.
Em alguns momentos da peça eu tive a sensação de reconhecer traços de Luana na personagem,que era tomada no auge de sua embriaguez por uma confiança desmedida,por um falta de pudor em dizer tudo que quisesse...
E ao mesmo tempo reconhecia traços da minha própria persona, na solidão, na ansiedade, no desespero e vazio da personagem; que tantas vezes em noites de sextas ou em dias de terça podem possivelmente me assaltar.
E via também meu melhor amigo, minha tia , minha vizinha...
O monólogo falava acima de tudo do solidão, do vazio de uma pessoa.
Fosse ela preta, branca, pobre ou rica, homem ou mulher.
Era uma pessoa que estava ali, virando sua alma ao avesso, despindo seus fantasmas, num mergulho profundo de uma noite escura de sexta-feira.
Luana não fica nua apenas da cintura pra cima durante a peça. Luana se despe totalmente. Se arreganha, muda de cor, se permite, se entrega.
Dos seus olhos saem faíscas azuis, verdes,vermelhas, ígneas.
E a dor, a aflição, o vazio, a solidão, a libido, a ousadia, o lirismo, a poesia e o despudor da personagem pertuba, provoca, fascina.
E eu que adentrei aquela sala de teatro no afã de desvendar Luana, sinto que ainda que ela permanecesse ali em frente a mim, durante a vida inteira, não seria jamaz capaz desse feito.
Luana é " indesvendável", como só as pessoas mais interessantes são capazes de ser.
Luana é ainda mais linda do que aparece nas revistas e na tv.
É majestosa, exuberante,intensa e voraz.
Luana não é uma personagem.
É de carne, osso, e emoção.
Luana, não é impaciente com os fãs, tampouco metida ou esquentadinha.
Luana é autentica,confia no próprio taco, diz o que pensa. Pensa antes de dizer.
Luana é audaciosa, corajosa e talentosa.
E mesmo sem precisar provar nada pra ninguém, prova naturalmente mais uma vez nesse monólogo que é capaz de alçar voos cada vez maiores.
Luana sublima, surpreende ,emociona,e definitivamente arrebata.
Porque é um Pássaro. Do dia, da tarde e da noite.
Hoje a vi numa pizzaria do Leblon, com um grupo de amigas.
Poucos dias depois de um episódio pessoal que se tornou público nas manchetes das últimas revistas.
E ela estava lá, linda, feliz, forte, seguindo em frente.
Tal qual uma verdadeira Fenix, que ressurge das cinzas.
E fascina, e inspira.
Uma verdadeira fenix, chamada luana.

domingo, 9 de novembro de 2008

Copacabana


As lágrimas


que banham o meu rosto


tem gosto de chuva e sal.




A lua


que ilumina o meu corpo


é artificial.

Promessas


Aquilo que eu não posso cumprir
se eu não te prometer;
Desculpe, mas não posso fingir
que sou capaz.

Tem dias em que eu quero sumir
para tentar te esquecer.
Mas é só voce surgir,
para eu voltar atrás.

Não posso mais fingir
que não é comigo.
Não somos mais amigos.

Não posso mais mentir
que não corro perigo,
se mergulhei num abismo.

Aquilo que eu não posso esconder
e nem tentar controlar;
Desculpe, mas não posso viver
de imaginação.

Não peça para eu te esquecer,
nem tentar disfarçar.
Coragem é admitir
o que me satisfaz.

Não posso mais fingir
que não é comigo.
Não somos mais amigos.

Não posso mais mentir
que não corro perigo,
se mergulhei num abismo.

Se não há crime,
Não há porque ter castigo.
Dispenso as chaves desse esconderijo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Impressões de um expectador


Nessa última quinta-feira depois de conhecer finalmente o Cristo Redentor fui assistir Os Difamantes, uma comédia deliciosamente leve e despretensiosa, interpretada por Emílio Orciollo Neto e Maria Clara Gueiros, em cartaz no teatro do Leblon.

A peça narra a história de Maurício e Beatriz, um casal que tem como hobby falar mal da vida dos famosos e que de uma hora pra outra se veem diante da possibilidade de também se tornarem celebridades e automaticamente passarem de difamantes para difamados.

O que chamou a atenção logo de cara, foi o fato de antes mesmo da peça começar, eu já ter a oportunidade de ir me familiarizando com o universo dos personagens, que já se encontrava no cenário onde toda a história se desenvolve. Ou seja a partir do momento que o público ainda se acomoda em suas poltronas, já é convidado despretensioamente a entrar na intimidade de Mau e Beatriz,e quando a peça começou a sensação que tive é que já era amigo do casal, uma vez que já conhecia o até mesmo o quarto deles, justamente o quarto, um dos comodos mais intimos de um casa.

E o desenrolar da história não é diferente. Alicerçados por um texto despojado, enxuto e engraçado, Maria Clara e Emilio, nos brindam com uma interpretação leve, envolvente e divertida;e se não bastasse toda a familiaria com os personagens construída a partir do cenário, somos repetidamente " convidados" a " participar" da vida íntima do casal, como se fossemos amigos de longa data,e nos tornamos ouvintes de Mau e Beatriz em diversos momentos da peça.

E apesar de toda a leveza, espontaneidade e despretensão que o texto e a interpretação dos atores nos proporcionam, somos estimulados a questionar um assunto que esta cada vez mais atual: será que vale mesmo a pena se tornar uma celebridade? Qual será realmente a grande vantagem de se tornar uma pessoa conhecida?

A peça não tem a intenção de dar lição de moral em ninguém,não traz a tona no final da história uma mensagem que mudará para sempre a vida dos narcisitas que a assistirem, fazendo com que os mesmos repensem a importancia que dão na busca incessante para se tornarem pessoas conhecidas.

A peça simplesmente consegue de uma maneira muito saborosa propor que façamos uma análise dos nossos valores e nos questionemos a verdadeira importancia de se tornar famoso, tudo isso através do cotidiano de um casal que se ama, e que está cotado a alcançar os tão sonhados minutos de fama nos próximos dias.
Tudo isso de uma maneira despretensiosa, sem tentar empurrar nada goela abaixo.

De qualquer modo, questionamentos de valores a parte,a vontade que dá é de anotar o telefone do Maurício e Beatriz, para que possamos marcar um jantarzinho qualquer dia lá em casa. Porque um casal de amigos divertidos como eles, torna qualquer reunião mais agradável.

No final do espetáculo,apesar de toda a minha timidez que acaba resultando numa gagueira repentina que só surge quando insisto falar mais do que devo,resolvi cumprimentar os atores pelo excelente trabalho.

A primeira de quem me aproximei foi Maria Clara. Pedi Licença, e disse que não era do Rio, que tinha visto a peça e gostado muito. E finalizei parabenizando-a pelo trabalho, visto que a gagueira repentina já começava a ameçar os primeiros sinais.

Nesse exato momento, Emílio passou ao meu lado, e eu correndo o risco de parecer inconveniente, e já prevendo o surto de gagueira, fui quase monossilabaco.

- Eae.

- Eae, ele respondeu.

- Mandou bem lá, eu disse e sai desorientado por minha timidez, enquanto ele agradecia pela minha observação.

Enquanto esperava a chuva passar para vir embora, fiquei pensando na idiotice que tinha feito. Então o cara além de atuar, (diga-se de passagem muito bem), ainda é o produtor do espetáculo( muito bem produzido por sinal)e tudo que eu consigo dizer é Mandou bem?

Antes eu tivesse ficado calado, pensei comigo.Afinal boca fechada...

De qualquer maneira, fui surpreendido com a simpatia de Emílio que se despediu de mim, que ainda aguardava a chuva passar, na saída do Teatro.

- Tchau,ele disse me sorrindo com muita simplicidade e verdade.

- Tchau, eu respondi, embora a vontade fosse dizer que ele não tinha apenas mandado bem, que eu tinha me divertido a beça, que tinha adorado o texto, a iluminação, a sonoplastia,e que ainda no final das contas, eu que de vez em quando fico me perguntando se quem sabe não seria mais feliz se fosse menos anonimo, passei a me questionar se essa tal de fama vale mesmo a pena, assim como fizeram Mau e Beatriz.

Optei por dizer só tchau, até mesmo para não me enrolar na minha gagueira ainda mais.Embora minha vontade fosse dizer que havia me emocionado com sua interpretação em O rei do Gado, Anjo Mau e Alma Gemea, que também tinha visto um clip na MTV dirigido por ele, e que admirava seu trabalho pra valer, ainda que não acompanhasse sua carreira com tanta assiduidade.

Fiquei só no tchau mesmo, até porque ele tinha feito outros trabalhos e podia não pegar bem o fato de eu não me lembrar de todos.

E enquanto a chuva cessava eu voltava pra casa, tentando entender essa linha tenue que transforma a maneira como enxergamos algumas pessoas, de uma hora pra outra.

O Emílio por exemplo. Gostava do trabalho dele e ponto.Era só isso.E para ser sincero ele nem estava entre os meus atores preferidos, embora, repito reconheça o talento dele.

E agora, depois daquela peça, depois daquela chuva, depois da tentativa de tentar expressar minhas impressões sobre o trabalho que acabara de assistir, depois do meu surto de gagueira,depois do tchau no final da chuva,depois de alguma coisa que nem eu mesmo sei explicar qual, eu voltei pra casa,admirando ainda mais o trabalho e agora também a pessoa do Emilio que com sua graça, talento e simplicidade passou a encabeçar a lista dos meus atores favoritos, passou a fazer parte da minha lista de pessoas especialmente talentosas, com as quais eu gostaria de me parecer de alguma maneira, quando terminar de crescer.




sábado, 1 de novembro de 2008

Sobre fé, coragem e recomeço.


O mes de novembro comecou. E daqui a pouco 2008 ira chegar ao fim. E la se vão quase quarenta dias desde que cheguei ao Rio, pela primeira vez, pra essa minha temporada, repleta de sensações. E depois de mais de um mes na Cidade Maravilhosa, surge uma cobrança interior me perguntando, o que foi exatamente que eu fiz durante todo esse tempo? Quais pontos turisticos visitei? Quantas milhares de fotos registrei? A resposta talvez seja frustante para a maioria das pessoas que deseja passar uma temporada no Rio de Janeiro.Porque ainda não conheço o Cristo Redentor, ainda não andei de bondinho no Pão de Açúcar e tampouco visitei alguma de escola de samba.

De qualquer modo, precisei de uns dias para entender que estava no Rio de Janeiro, a cidade que desde sempre e tanto, ou mais, desejei conhecer. Na verdade minto, conhecer não, mas viver seria a palavra adequada.

De fato, nunca tive essa ansia em fazer turismo no Rio. Tanto que aqui cheguei com esse mesmo sentimento, com uma curiosidade contida em relação ao pontos turísticos e uma necessidade urgente de arrumar um emprego, de conhecer pessoas, de encontrar um lugar definitivo para morar e começar a correr atrás do meu sonho, de ser ator.

E nesse afã de me firmar na Cidade Maravilhosa, a curiosidade que já não era tamanha em conhecer imediatamente os pontos turísticos foi ficando cada vez mais adormecida.

É claro que eu quero fazer tudo isso: ver o Cristo de perto, andar de bondinho, registrar fotos repletas de poesia no arpoador...

Mas um sentimento de que haveria ainda muito tempo para isso no futuro me tranquilizava, afinal não tinha vindo para conhecer o Rio...e sim viver.

E vivendo aqui, eu teria tempo para conhece-lo melhor...

Porém, depois de dias buscando emprego, moradia, me interando sobre cursos e vestibulares, fui tomado por um desejo imenso de voltar para casa e deixar toda essa busca de lado.

Me senti frágil o suficiente para não acreditar que serei capaz de morar para sempre no Rio, longe dos meus...

E fui tomado por um emaranhado de dúvidas que admito, ainda não volatizaram.

E derrepente um sentimento de cobrança me dominou e uma necessidade de aproveitar essa temporada, essa viagem ,despertou dentro de mim.

E a cidade começou a ganhar um brilho e uma cor que até então eu não tinha notado de tão focado que estava nas minhas metas.

Não estou menos focado.

Continuo me interando sobre oportunidades no Rio de Janeiro.

Mas estou menos ansioso.

Estou mais calmo e certo de que se esse ainda não for o momento ideal para eu me fixar no Rio, tudo bem, não será o fim do mundo.

Assim como não será o fim do mundo se eu optar em desistir de ser ator.

Afinal há tantas pessoas e motivos para eu ser feliz, que não será uma mudança de roteiro que me destruirá.

Com essa percepção, estou sem tanta pressa descobrindo um pouco do Rio de Janeiro.

Ontem fui ao show do Jorge Vercillo, o poeta que sempre me remeteu ao Rio, através de suas músicas tão marítimas.

Hoje voltei a fazer atividade fisica e a tentar controlar minha alimentação.

Essa semana talvez visite o Cristo, talvez ande bondinho, talvez compre lembranças de turistas para os meus...

Ou talvez não faça nada disso.

Mas de uma coisa é certa, não vou ficar me cobrando, por nada, tampouco por ainda não conhecer os cartões postais dessa cidade, mesmo sabendo que um mes é tempo o suficiente para que isso tenha acontecido.

Vou seguir em frente no meu ritmo.

Sem me basear em expectativas que eu mesmo criei e talvez nem sejam alcançadas.

Talvez eu não esteja pronto para viver no Rio.

Talvez eu esteja mais envolvido pelas minhas raízes do que eu mesmo imaginava.

Talvez, talvez, talvez.

Ou talvez não.

A vida é uma sucessão de possibilidades, e não existe nem um caminho pré-estabelecido pra nada.

A vida não é uma receita de bolo.

Não é um roteiro de turismo.

E por mais que eu tenha alimentado a certeza de que seria feliz no Rio e ponto,talvez eu tenha que rever essa certeza, e ao invés do ponto, acrescentar mais dois e transformá-los em reticencias...

Ou talvez não.

Talvez eu seja mesmo feliz aqui, e me transforme num ator consagrado do teatro, cinema e televisão.

Ou talvez eu volte para casa, continue escrevendo meus poeminhas de amor, e descubra que a minha felicidade sempre esteve mais perto de mim do que eu pudesse prever.

E independente de minhas escolhas, o que importa é que eu sempre seja guiado pela fé e coragem eu buscar minha felicidade e recomeçar, quantas vezes for preciso.

Sem expectativas.

Sem certezas incertas.

Apenas com muita fé e coragem.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

" A sombra do futuro, a sobra do passado, assombram a paisagem..."

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.


Hoje vou deixar que essa letra de uma canção do Lenine, diga o que eu não sei dizer, mas consigo como ninguém sentir.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sobre saudade, culpa, tristeza, e pretérito mais que imperfeito.


Algumas pessoas tem vocação para a tristeza, eu sou uma delas.
Definitivamente, independente da geografia ou do clima, continuo triste, com saudade de tudo que foi e não volta mais, com uma sensação que afastei pessoas, que atrapalhei a vida daqueles que amo, que fiz tudo errado, que meti os pés pela mão, e que nada tem conserto.
Sou tomado por um vazio tão grande dentro de mim, que chego a perder a respiração, quando me deparo com o eco do buraco que existe dentro da minha alma.
Não sei até quando vou saber lidar com essa confusão, com esse emaranhado de sentimentos, sensações, emoções, que volta e meia despertam dentro de mim, e me paralisam, me sufocam.
Me sinto culpado por tanta coisa.
Culpado por perdoar quem não devia perdoar. Mas quem foi disse que a gente não " deve" perdoar? Se sem o perdão o maior prejudicado é que nutri a mágoa? Mas me mesmo assim, me sinto culpado por estampar minha fragilidade, por me importar com quem nunca se importou comigo de verdade. Daí um leão toma conta de mim, e eu quero voltar atrás, desconsiderar o meu perdão, desconsiderar que admiti precisar de quem não precisa de mim, de quem não se sente arrependido por tudo de ruim que me fez, deixando de fazer muito por mim.
Porque quando abro mão dessa mágoa, é como se tivesse abrindo mão da única arma que tenho para ferir quem sempre me feriu.
E perdoar,gesto que até outrora me fazia sentir mais leve e talvez até menos infeliz, começa a servir como termometro para medir minha falta de vergonha na cara. Porque se eu tivesse vergonha não teria perdoado. Pelo menos é isso que ouço do ecoar do buraco que lateja dentro da minha alma inconstante, confusa e triste.
Devo ser depressivo cronico, sei lá.
Não sei.
Só sei que sou tomado por uma saudade de quando era pequeno, sou tomado por uma vontade de ter oito anos ainda, e ser menos nojentinho, chato, antipático, cruel, ruim, de ocupar menos espaço e de atrapalhar menos a vida dos meus a minha volta.
Mas o tempo não volta.
E toda chatice, antipatia, teimosia, intolerancia, prepotencia, crueldade e egoísmo que espalhei numa fase da minha vida que devia espalhar só coisas bonitas e suaves refletem na minha vida vida e na vida daqueles que deveria ter feito bem.
Não sei até que ponto uma criança pode ser isenta de culpa devido a sua imaturidade.
Eu pelo menos não posso ficar isento.
Eu sou culpado.
E minha sentença, talvez seja essa:acordar a cada dia mais triste, vazio, inconstante, inseguro com a sensação de saudade, culpa, tristeza, por culpa de um pretérito que eu tornei imperfeito, mas que agora olhando para trás, tinha tudo para ter sido senão perfeito( porque perfeição talvez não exista) mas certamente bonito, sereno , tranquilo e feliz.
Se eu fosse fazer uma lista de pessoas a quem deveria pedir perdão, ela iria de A a Z e incluindo meu próprio nome.
Porque nessa atmosfera de fazer tanto mal, não poupei nem mesmo a mim.
Aliás não só não poupei como me transformei no meu verdadeiro algoz.
Para terminar uma frase que li em algum lugar, cujo autor não me lembro o nome:
" Foges de ti na companhia de si próprio. Não é de clima que precisa mudar. É de alma".

Ps: A falta de acentos, é por causa do teclado com defeito.

Os Imprescindíveis.

Há homens que lutam por um dia e são bons.Há outros que lutam por um ano e são melhores.Há outros, ainda, que lutam por muitos anos e são muito bons.Há, porém, os que lutam por toda a vida,Estes são os imprescindíveis.


Bertolt Brecht.

sábado, 25 de outubro de 2008

Sobre cartão postal,ócio, coca-cola, sorvete e uma canção...


Para quase tudo na vida realmente dá-se um jeito. Imagine que estou no Rio de Janeiro, sem camera digital, e consegui utilizar o meu ingles caótico para me comunicar com uma francesa de nome Emma, que passeava pelo arpoardor e gentilmente tirou essa foto minha, e depois me encaminhou por e-mail.
Os meus dias aqui no Rio não andam sendo tipicamente de um turista trivial. Para ser mais claro, há dias que nem ponho o pé para fora de casa, como hoje por exemplo que acordei as 15 hs da tarde e fiquei vendo tv, navegando na internet e tomando sorvete com coca-cola.
Até esqueço nessas horas que estou na Cidade Maravilhosa, e há qualquer momento parece que vou ter que ir no Shoping Pantanal comprar pão no Modelo.
Mas isso talvez seja outro ponto bacana dessa experiencia na cidade Maravilhosa. A descoberta de que independente da geografia, a beleza de alguns dias está justamente eu curtir o ócio, sem ansiedade, tristeza, ou apatia.
Sem necessariamente estar bronzeado, tomando banho de mar ou bebendo água e coco.
Envolvido pelo ócio e navegando pela internet, acabei ouvindo uma música interpretada pela Mart'nália de autoria do Djavan em parceria com Arthur Maia.
Não vou comentar sobre a letra.
Ela fala por si:


Alívio

Aturei andar de bar em bar

Na contra mão pra seguir a sua direção

Vou à praia e todos são iguais

queimados ou não

Sempre a procurar sem direção


Aturdido, sem sentido não sei onde estou

Toda hora é como agora

É viver só pra te esperar


Eu queria tanto descansar meu coração

Uma nova má noticia não

Seja lindo amor bem-vindo
E cresça como for


Me apareça e faça o seu show

Para eu respirar e ter alivio

E nessa condição vou poder

Me situar no seu convívio


O colorido que está no lado azul

Preto branco, qualquer cor

Mas sempre vivo

Sobre a última sexta...




Ontem fui ao teatro Leblon ver a peça Ensina-me a viver com a Glória Menezes e o Arlindo Lopes.Não tem como não se emocionar com a história do confuso jovem Harold que descobre o amor através de uma mulher de quase oitenta anos, a doce e espirituosa Maude.


Fernanda de Freitas também integra o elenco e brilhantemente interpreta as tres pretendentes de Harold, encaminhadas por uma agencia de matrimonio.

A peça fala sobre a importancia de se viver uma dia de casa vez, e se viver de verdade.


Experimentando coisas novas, se permitindo recomeçar,se dando o devido valor.


Depois acabei esticando minha noite cultural indo conferir Pássaro da Noite, um monólogo interpretado corajosamente por Luana Piovani.


Particulamente não gostei, não consegui me envolver com os dramas de uma mulher que bebe tanto que não sabe exatamente aonde foi párar, numa noite de sexta-feira.A impressão que tinha a todo momento é que Luana, interpretava ali em diversos trechos do monólogo, o papel dela mesma.


Não era dificil ter essa sensações em trechos como o que ela dizia que se achava " foda", que só viriam ela pelada se pagassem em dólares, dentre outras frases que poderiam ser ditas tranquilamente por Piovani.


De qualquer modo, é inegável a coragem de Luana em encarar uma platéia, num monólogo cujo o único elemento cenico, é o próprio texto, durante mais de 60 minutos.


É inegável que ela se trata de uma mulher que busca novos e grandes desafios, e que não procura o caminho mais fácil, porque como o próprio texto do release da peça diz: ela poderia estar fazendo novelas, minisséries, ganhando até mais dinheiro, mas não, opta pelo caminho mais dificil .


Portanto se a peça não mexeu comigo da maneira que eu gostaria,acabou fazendo com que eu que nunca fui tão fã de Luana, ( talvez influenciado pela Mídia que a taxa como mau educada e prepotente)saísse daquela sala admirando não somente sua beleza, mas sua ousadia e coragem.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Quem dobra a esquina do pecado, sempre dá uma volta ao quarteirão?

Não tenho tanta certeza disso.
Não mesmo.
Algumas pessoas realmente não tem o dom ou estrutura suficiente para dar mais uam volta ao quarteirão.E eu certamente sou uma delas.
Tento me lembrar daquela frase estúpida que diz: Acorde arrependido, mas não durma na vontade. E quando essa frase vem e me deixa paralisado, porque a culpa tem essa capacidade de paralisar, eu me lembro de uma terceira que me diz para se arrepender somente do que não fiz.
É, talvez se apegar nessas filosofias seja uma maneira de deixar a vida mais simples.
De qualquer modo, o que me salva mesmo nessas horas onde a cabeça entra em pane e o único parafuso que me resta enferruja, o que me salva mesmo são meus amigos, aqueles de verdade, em quem eu confio e me são tão caros!
Ontem fui assistir ao musical A Noviça Rebelde. Foi lindo.
Essa semana ainda quero ver o Set.
Ainda quero ver o Cristo, ir a Angra, andar de bondinho, de pedalinho na Lagoa, talvez passar um dia em Búzios e por mais impossível que seja , tentar mais uma vez emagrecer.
Coisas tão simples eu sei...
Mas derrepente me descubro mais simples, do que imaginava ser capaz de ser...
A cidade grande, a saudade dos meus, me desperta isso: essa compreensão de as coisa simples são mais valiosas...
Então bola pra frente Herton Gustavo!
Se eu cair, que eu trate de me levantar e seguir adiante...sem esquecer daquele outra frase que diz: Se há vida, é para ser vivida.

domingo, 19 de outubro de 2008

Então o jeito é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo.

A sensação que eu tenho é que as pessoas olham através de mim. E não para mim. Atingi uma proporção fisíca tão gigantesca, fiquei tão imenso, que pareço estar sofrendo efeitos colaterais, que de uma hora pra outra me tornei invisível como ser humano que também quer conquistar e ser conquistado.
Não sei, talvez tudo isso seja coisa da minha cabeça inscontante, melodramática e eventualmente vazia. De qualquer modo, estou no Rio de Janeiro.
Uma cidade cercada por opções de lazer, de entretenimento, e de muitas pessoas.
Umas interessantes, outras nem tantos. Outras desenfreadamente irresístíveis.
O mais curioso é que mesmo estando em outro cenário, com outras personagens, consigo a proeza de permanecer na mesma vidinha presívivel: comendo morangos com leite condesado e vendo a vida dos outros, pelo orkut.
Se bem que não.
Ver a vida dos outros também perdeu a graça, porque descobri que não eram vidas tão interessantes. Talvez mais interessantes que a minha, mas não mais interessantes quanto as das pessoas irrestíveis que encontro pelo calçadão de Copacabana ou numa rua do Leblon.
Sendo assim, enquanto não abro mão definitivamente dos morangos com leite condesado, vou aos poucos deixando de me tornar expectador de vidas que agora descubro pouco interessantes de alguns dos meus contatos virtuais, e passo a descobrir um novo universo à minha volta, onde as pessoas são ainda mais cheias de mistérios, e me despertam ainda mais tesão e curiosidade.
E ainda que não consigam me enxergar. Ou talvez até me enxerguem e caiba a mim me livrar dessa sensação de invisibilidade . De qualquer modo, ainda que olhem através de mim, ao invés de olharem para mim, eu me arrisco, eu decido enfiar o pé no acelerador e sair sair vivendo.
Ontem uma festa.
Hoje outra.
Alice também tem me inspirado a sair por aí vivendo, literalmente.
Alice talvez seja um pretexto.
De muitas vontades camufladas em mim.
E como diz a música: Se eu quiser me convencer, tudo pode ser um bom motivo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Espelho, espelho meu, existe alguém mais Herton Gustavo do que eu?

Hoje faz vinte dias que eu cheguei no Rio. Ainda não emagreci, ainda não arranjei emprego, não visitei os pontos turísticos,não fui ao teatro, nem tirei fotos tendo o mar como pano de fundo.
De qualquer modo, devo ficar aqui mais tempo q o esperado.
Exatamente até o dia 25 de novembro quando presto vestibular na Unirio.
Talvez ainda esteja em tempo de eu visitar o Cristo, tomar sol em Ipanema, ver muitas peças, e emagrecer com a ajuda da paisagem do calçadão de Copacabana.
Hoje faz vinte dias que o Rio deixou de ser uma personagem das páginas de revistas de se tornou real.
Assim como as paisagens que eu cantava nas letras de músicas, que eu via nas novelas do Manoel Carlos, se materializaram na minha frente.
É tudo menos glamouroso do que parecia.
Mas também é menos violento do que eu lia no jornal.
De qualquer modo, ainda estou vazio, sozinho e estranho.
Estou passando uns dia no apartamento da Lívia e do Renato, enquanto acho um quarto pra aluagar.
A vida é cheia de surpresas mesmo.
E a ajuda realmente ás vezes vem da onde a gente menos imagina.
Sempre serei grato a eles por esse gesto.
Não precisei viver a experiência de dividir um quarto com mais quatro pessoas, e isso graças a a a gentileza desses dois colegas, que estão se tornando dois novos amigos.
No mais, continuo em busca de um lugar pra morar, fazendo cadastros em agências de figuração e tentando entender o que se passa dentro de mim.
Tentando descobrir aonde realmente eu serei feliz.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre matemática, teatro e outras dúvidas...

Não consigo acompanhar essa matemática de pessoas à minha volta. É tanta gente pelas ruas, nos shopings centers que minha cabeça chega a ficar rodando.
Hoje fui à minha primeira aula de teatro, na zona norte do Rio, isso depois de ter prestado o vestibular da Univer Cidade, e foi uma experiência bacana.
Mas não sei, se ainda é esse o curso.
Também não sei ainda se essa é realmente a cidade aonde eu serei feliz para sempre .
Não sei até que ponto vale a pena lutar para ser reconhecido por um talento que nem eu tenho certeza se tenho.
Até que ponto vale a pena ficar longe da minha família e das poucas pessoas que amo de verdade.
Das pessoas que são realmente poucas.
Não sei.
Não sei.
Não sei.
O que sei é que estou vazio como jamais imaginei ser capaz de ficar.
E torço para que tudo se esclareça dentro de mim.
Amanhã é e semana começa outra vez, vou justiticar meu voto, comprar um jornal e ver as ofertas de emprego.
Ou começar fazer as malas e me organizar para voltar para casa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O mar é ilusão amor, a vida é um monte de problemas...

Eu já havia cantado essa pedra, em alguns dos meus poemas.Que um dia finalmente chegaria ao Rio, e me decepcionaria, e sentiria saudade de casa, dos meus, da minha vida.E cá estou triste, vazio e sozinho, perdido num Rio que não me permite acreditar que posso alcançar o meu tão acalentado sonho de ser ator de televisão.Hoje faz uma semana que cheguei,e apesar do susto inicial, do terror da possível violência que esperava ter diminuido, estou cada vez menos certo de que aqui é meu lugar.Mas o que mais me apavora é a possibilidade de se eu não encontrar meu lugar aqui, viver vagando como um zumbi num universo onde ser feliz será impossível se eu não for ator.Apesar do medo da violência, e de um lado feio e sujo que a gente não vê pela TV, a cidade tem sim sua grande parcela de beleza, e encanto, as pessoas são sociáveis e gentis e o mar é capaz de inspirar muita poesia sim.Mas a saudade dos meus, o conforto de casa, a solidão tão maximizada e falta de dinheiro, me impedem de seguir adiante.Na teoria encarar tantas sacrificios por um sonho é até possível. Na prática porém, a idéia é insustentável.Trabalhei dois dias, em um livraria do Leblon, frequentada em sua grande parte por atores, cantores dentre outros artistas.Mas a carga horária de 08hs na madrugada, não resistiu ao brilho do elenco de clientes, tampouco ao charme do bairro que eu sonhava em gravar uma cena de novela, e o salário que não seria suficiente para eu bancar minha dignidade na Cidade Maravilhosa, contribuiu para que eu pedisse as contas e desistisse da empreitada de ter como cliente de Caetano Veloso à turminha da Malhação.Depois de uma semana obcecado em arranjar um emprego, conseguir um lugar legal e mais reseravado pra morar( estou há sete dias divindo moradia com mais 10 pessoas) e tentando fazer contatos para descontos em curso de teatro, resolvi estender as chuteiras e fazer um pouco de turismo antes de ir embora de uma vez por todas.Já que estou aqui, é melhor que ao menos eu curta essa cidade ,antes de ir embora.Antes de voltar para a minha vida previsível, sem chances de ser feliz, aonde ao menos eu tenho o calor dos meus por perto e um quarto só pra mim.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Ensaio sobre a perseverança

Desisti de participar do baile de formatura. Minha mãe diz que acha desnecessário, que pra ela o que faz a diferença é eu arranjar um emprego e por meus pés no chão. Eu disse a ela que quanto aos pés , é quase improvável que isso aconteça. Ela também exige que eu tire os piercings, ou senão não põe os pés mais em aqui em casa...rss.
Ela praticamente quer que eu seja quem não sou, e ela não é a única. Tenho tendo dias ruins. Engordei mais ainda, agora estou pesando quase 120 quilos, sai da agência, e até agora não recomecei a fisioterapia. Ando perdido, sem estímulo, e ao mesmo tempo revoltado com muita coisa ao meu redor.
Não quero mais continuar nessa cidade, não quero mais continuar nessa casa, não quero mais nada.
Estou perdendo o controle da minha vida e isso é péssimo.
Ainda não me perdoei por minhas falhas, pelas oportunidades perdidas.
Poderia estar falando inglês, com um carro na garagem, morando com meu primos e namorando a Valéria. Mas não. Estou a pé, sofrendo para não ser reprovado mais uma vez por causa da monografia que devia ter feito ano passado e pagando um aluguel que nem tenho condições de estar pagando.Tudo poderia ter siso mais facil se eu mesmo não tivesse estragado as coisas, e a sensação de arrependimento, de remorso não vai embora de jeito nenhum.
Me tornei um obeso, flacido, amargo, sem perspectivas e sem noção. Incapaz de concluir algum projeto, cheio de ideias que nunca saem do papel, feio, acabado, infeliz.
Vim pra faculdade pra tentar desenvolver a monografia, mas não consegui fazer nada.
Minha vida te sido assim : uma repetição de dias sem fazer nada.
Mas apesar de toda essa carga de tristeza, de peso, de feiurame rondando, eu não vou desistir.
Vou arrancar forças de algum lugar e vou mudar essa situação.
Vou provar a mim mesmo que meu poço tem molas, e eu vou sair dele.
Ou eu não me chamo, Herton.
Herton Gustavo Gomes.
Sim, eu voltei a escrever nesse blog sim.
Ele e meu e eu volto quando bem entender.
Não é um simples capricho. É orgânico.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tanto

de tanto ter
tão pouco
eu me acostumei
assim
a nunca contar
com os outros
a não sofrer
no fim.


de tanta
decepção
já não tenho
o que
esperar
finquei meus dois pés
no chão
desisti de levitar


de tanto chorar
sozinho
hoje eu nem choro
mais
se disser que vai
embora
e não volta
nunca mais

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não é o fim, é apenas um novo começo.


78 posts depois chega esse blog chega ao ao fim.

Com um tempo de vida menor que o esperado, registro aqui meu último post nesse espaço repleto de poesia, de coragem, de idéias compartilhadas vezes sim,outras não.

Cada detalhe deste blog foi escolhido de propósito: a cor, o título...Havia em mim uma necessidade de dizer algo que não podia mais calar, de gritar as minhas indecisões que ansiavam por uma certeza.

Não há mais necessidade de gritar, de me rotular, de ter certeza de alguma coisa.Só o fim é uma certeza. E O diário de um urso chega ao fim nesta madrugada de inverno extremamente quente.

Meus agradecimentos em especial a Ana Paula( adoroooo) que consegue ser presente de uma maneira muito especial em minha vida, ainda que seja através dessa página e a Tetê, com quem cheguei até dividir algumas das criações existentes aqui...minha querida Thaís, inesquecível apesar da distência...está longe ( no Acre) e tão próxima de mim, através desse espaço que não marca um fim, mas sim um novo começo.

A partir de agora me encontrem no meu novo blog: http://www.prosaempauta.blogspot.com/

O motivo dessa mudança são vários, mas o principal deles é que Prosa em Pauta, marca o começo de um novo ciclo, que nem eu sei ao certo qual o prazo de duração.


Fim.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Promessas

Aquilo que eu não posso cumprir
se eu não te prometer...
Entenda, mas não posso fingir
que eu sou capaz.

Tem dias em que eu quero sumir
Pra tentar te esquecer
Mas é só você surgir
pra eu voltar atrás...

Não posso fazer de contas
que não foi comigo...
Já não somos mais amigos...

Profissionais do Ano...


Direto da Redação...
uia!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Balada do Inabalável nº 02

Mãe, vê se entende a minha dor
Eu nasci pra ser ator,
Fazer de conta, interpretar.

Ah mãe,não tenho dom pra engolir sapo,
Pra viver nesse anonimato
Nessa rotina que não me leva pra nenhum lugar.

Mãe, me dá sua benção,
Tô indo embora.
Vê se não chora e não implora
Pra eu desistir dessa televisão.

Ah mãe, se eu tivesse ido embora ano passado,
Na certa já estaria até escalado
Pra ser mocinho lá na Malhação.

Mãe, assim que der compro um cartão
E corro no primeiro orelhão
Pra te contar, o quanto o Rio é sensacional!

E não demora mãe,a senhora vai me ver
Beijando Malu,na próxima novela da TV
Vai ver seu filho, no caderno de domingo do jornal.

sábado, 7 de junho de 2008

Um gato de bota...

Continuo sem internet em casa. Algumas coisas aconteceram nos últimos dias. Nessa minha vida que nunca acontece quase nada. E hoje tive vontade, necessidade de passar aqui pra escrever. Há quatro dias de encerrar meu contrato de trabalho com a empresa a qual estou me desligando, sofri um acidente e fraturei o meu pé. Participei do festival de Cinema de Cuiaba, com dois video-clipes que não não foram vencedores, mas a esperiência valeu a pena. Fui selecionado pra ser monitor na UFMT. Estou ainda mais gordo. Tive uma experiencia nova, com um pessoa nova, mas sei lá, não quis levar adiante.
Continuo flácido, gordo, só, triste, confuso, e virgem.Recebi uma oportunidade de fazer estágio
Em tempo: esses acontecimentos não aconteceram exatamente na ordem que foram citados aqui. Se é que a ordem dos fatores, altere alguma coisa.
E pra terminar, continuo flácido, gordo, só, triste e virgem.
E na verdade, o fato de ser virgem é o que menos me incomoda.
Na verdade, eu começo a gostar um pouco dessa condição.
Não sei quando meu pé vai estar bom novamente. Não sei quanto tempo ainda vou levar pra me desligar do meu trabalho e poder começar vida nova, numa nova empresa. Não sei se vou ficar bom a tempo de não perder esse oportunidade de estágio que me apareceu. Não sei de mais nada.
Não sei se estou feliz aqui, mas também não sei se posso ser feliz em outro lugar.
Tenho medo de tomar decisões e me arrepender, e não ser compreendido.
E ao mesmo tempo, me sinto não farto de me importar com a opinião alheia.
Não sei até que ponto algumas pessoas se importam comigo, mas sei que algumas se importam tanto que as vezes eu sinto odio de mim, por não conseguir demosntrar a recíproca que costuma ser verdadeira.
E quanto as que não se importam, já não tenho mais energia para questionar o porque elas não correspondem a minha atenção.
Estou cansado de tudo, de mim, dessa vida, dessas dúvidas.
Estou com saudade da minha mãe, dos meus irmãos.
Queria estar perto da Rita, do Eduardo, da minha mãe Morena.
Queria estar no Rio de Janeiro.
Queria estar em Marte.
Queria estar longe daqui.
Está muito chato estudar a noite naquela faculdade.
É tudo tão triste, tão cinza.
Ou será minha vida que está assim?
Hoje não tem foto.
Vou voltar pra casa, devargazinho pra não prejudicar ainda mais a fratura, e ficar vendo TV, com a minha solidão que acostumei a ter como companhia.
Meu pé dói.
Minhas costas doem.
Queria ter mais fotos com a minha mãe, os meus irmãos.
Queria que fossemos felizes de verdade.
A Poliana me chamou de gato de bota.
Por isso, o título desse post.
Ainda que eu esteja mais para um sapo de bota.

" Aquele que habita no escoderijo no Altissimo, à sombra do Onipotente descansará".

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A bailarina



Por Thaís Carvalho e Gustavo G.


Ela dançou a noite toda,

como se fosse uma criança,

sem se lembrar que na Segunda,

tão cedo despertava,

precisava trabalhar.



Ela trazia no olhar,

o frescor,

a esperança,

que aquela noite de festança

pudesse não mais acabar.



Mas acabou.

E na Segunda, ela desperta pra mais um dia, sua interminável rotina.

Ela já não tem o mesmo brilho

É a mulher, não a menina.

É operária, não bailarina.


Agora, durante uma semana

Ela vai envelhecer , vai ter que aguentar

Até que o próximo sábado chegue,

e na numa nova noite, ela se aconchegue

e possa enfim se re-libertar.

Poema de precaução

Por Thaís Carvalho e Gustavo G.


Sabe-se lá,
se amanhã eu morro
preciso essa noite,
pedir teu socorro,
registrar o nosso namoro,
que só no papel, posso desenhar.

Eu quero tudo hoje, agora, aqui.
Imaginar que vc está por perto,
provar do teu hálito,
de peito aberto,
nos reinventar.
Acreditar que ainda vale a pena, acreditar.

Eu quero tudo hoje, agora, aqui.
Comentar no teu blog,
que meu amor é seu fim.
Pichar o teu muro,te telefonar,
te enviar em e-mail imaturo, no afã de te conquistar
pois amanhã, eu posso cair duro, sabe-se lá.

Poema de sobrevivência


Eu vou virar as costas
quando você passar,
como um desconhecido
Como um cão sem lar.

Eu faço isso contigo
para não me aproximar.
Insistir que sou amigo,
é me martirizar.

Sua presença
ainda pertuba
os meus sentidos.

Seu sorriso
ainda cega
o meu olhar.

Consequência


Como vou fazer
de agora em diante,
pra ninguém perceber que sou tão infeliz.
Pra voltar a ser o mesmo cara de antes,
que tinha tanta coragem
que era dono do próprio nariz?

Meus versos
não tem nenhum sentido
se não forem lidos por você.
Meus Deus o que aconteceu comigo?
Eu mergulhei em um abismo,
sem ter ninguém pra me deter.

Eu já pensei demais,
sobre tudo de ruim
que cê vomitou em minha dire,ção.
E se hoje não tenho paz,
Foi por gostar de um rapaz
Foi por abrir meu coração.

Poema de perseverança


Eu tô tentando
eu juro,
reconstruir meu universo.
Já não acredito
em tudo que me dizem,
já não faço mais questão
de ter você por perto.

Eu tô me esforçando,
confesso:
pra não ser tão pueril.
Eu já não morro de amor,
nem me enveno
de mágoa em fevereiro,
ou de rancor no mês de abril.

Sem sentido


O chiclé faz ploc!
O prato da Raimunda,
é o nhoque...

A batida faz Prac!
A mosca zum,
A pia pinga,
O Réx late.

O casal geme,
O apavorado treme,
A escandalosa berra!

Na Espanha não tem guerra,
mas também não tem caju.
O bailarino dança
Até um diplomata já mandou alguém tomar no...

Cuiabá, não é assim tão quente.
Quem passa no vestibular,
nem sempre é tão inteligente.

A saudade de casa, consome
A poesia nem sempre rima,
Não é pecado sentir tesão na prima,
Chorar, também é coisa de Homem.

O ódio mata,
O amor resgata,
A ferida dói.

Essa vida é sem sentido,
Como um poema , como um dia de domingo
A puta chupa, a pulga pula
O rato rói.

Egoísta


Eu não divido nada.
Eu vivo só:
eu, minha casa,
meus discos favoritos,meus livros,minha televisão.

Eu não divido nada.
E não há sentimento que faça com que eu abra
mão dos meus fantasmas,
da minha solidão.

Poema da segunda vez


Não quero acreditar
que vai começar
tudo de novo.

O mesmo fogo no olhar
a mesma vontade de estar
com ele por perto...

Não posso entender
Como pode acontecer
comigo, de novo?

Gostar de quem não posso ter
Querer quem não vai corresponder
os sinais do meu corpo.

Talvez eu vague por aí
Não é covardia fugir
da solidão.

Ou me arrisque
nesse outono
revelando minha atração.

Próximos Janeiros ( Poema da amizade sem volta)


Eu perdi meu amigo,
num dia cinza, sem sol
ele não está comigo
desde o último verão.

Eu perdi meu amigo,
e já não sou mais inteiro
e permanecerei sozinho
pelos próximos janeiros.

Eu perdi meu amigo,
eu perdi, meu irmão
o meu pai, o meu filho
meu espiríto e o chão.

E ainda que haja outros motivos
que preencham sua ausência,
eu perdi meu amigo.


E serei infeliz
pelos próximos janeiros,
ou por toda minha existência.

Aviso


Não fale de amor desse jeito,
Eu posso me apaixonar.
E tenho um grande defeito:
de me envolver sem pensar.

Cê pode não ser perfeito,
mas quando eu resolvo gostar
só vejo virtudes, não enxergo defeitos
me atiro do décimo andar.

Não pouse sobre o meu peito,
Não saberei dizer: não!
se despertar meus desejos
se tocar a sua canção.

Eu tenho um grande defeito:
sou vulnerável ao seu violão.
Então faça o que devia ter feito
Não fale de amor desse jeito,não provoque o meu coração.

Poema de Insistência


Não foi em vão
que vim aqui.
Preste atenção,
olhe pra mim.

Meu coração
vai explodir!
Não tem razão
de ser, sem ti.

Mande esse rancor
para o diabo que o parta.
Aceite meu amor,
responda as minhas cartas.

Alguém já falou:
não espere, faça!
E o que eu faço com essa dor,
se eu não suporto a tua falta?

Não foi em vão
que insisti nessa canção.
Nessa rima tão chinfrim,
sem cadência ou emoção.

Cê não tem noção
do que é a sensação
de viver, sem ter prazer
de arder,de solidão.

Anônimo nº 02


Ninguém me quer,
Ninguém me quis,
Não sou ator,
Não sou atriz.

Ninguém me quer,
Ninguém me diz:
Que fará tudo,
para eu ser feliz.

Ninguém me quer,
Ninguém me olha,
Nem me deseja,
ou me adora.

Ninguém me diz:
Não vá embora.
Ninguém me abraça,
ou me devora.

Ninguém enxerga
a minha dor.
Não sou atriz,
Não sou ator.

domingo, 20 de abril de 2008

Ensaio sobre o desabafo.


Dias difíceis os nossos. Se não bastasse a corrupção, a miséria, a dengue, o tráfico, nos assustando, nos limitando,nos violentando, somos agora expectadores de barbáries incompreensíveis, imagináveis, inexplicáveis.
Como alguém pode ter a capacidade de cometer uma brutalidade desse tamanho com uma criança meu Deus? E quem afinal é o responsável por esse crime? O pai e madrasta? Ou haveria de fato uma terceira pessoa na cena do crime,tão fria, tão calculista ao ponto de elaborar um crime perfeito, sem deixar provas que a comprometesse?
Os laudos apontam que eles,o pai e a madrasta estão diretamente ligados com esse assassinato, mas e se de fato estiverem falando a verdade?
Na entrevista exclusiva concedida ao fantástico, ora eles parecem frios, ora parecem determinados a mostrar o quão amavam Isabela, mas ora parecem tão abalados, tão arrasados que sei lá, fica dificil não acreditar que estejam mesmo sofrendo e que não estão envolvidos nesse crime.Mas ao mesmo tempo, as provas, o sangue no carro, o chinelo, e mais uma porção de evidências apontam eles como os culpados. Meus Deus! É tão desesperador, é tão tão triste tudo isso! Não me sinto apto pra fazer um julgamento desses, não me sinto preparado nem para fazer uma análise nessa entrevista exibida agora a pouco.Não tenho maturidade, nem conhecimento para isso.E talvez por isso, não consegui ter uma opinião formada sobre o casal depois da sabatina feita pelo fantástico. Como exigência para conceder a entrevista, eles quiseram uma cópia da conversa cedida. Não consegui entender o porque disso. Qual a intenção deles? Caso, estejam blefando, fizeram questão da fita afim para analisar se a perfomance fora realmente convicente e emocionante, e assim estudar o que disseram para evitar contradições em entrevistas posteriores, ou simplesmente queriam uma cópia do material para derrepente usarem a favor da investigação, afim de provarem que são de fato inocentes?
Não sei o que pensar. Só sei, que o Brasil vai demorar a esquecer essa atrocidade.Só sei que diante de uma brutalidade dessas, fica ainda mais dificil ter fé no próximo.
Ter fé na vida, ter fé no amanhã, que chega cada vez mais assustador, cruel, frio, e violento.
Que Isabela descanse em paz.E que seja feita justiça. Que o culpado, ou os culpados paguem pelo que fizeram. E que ainda assim, diante de tanta coisa ruim, a gente insista em tentar ser feliz.

Trapezista


Minha cabeça roda,
o que será de mim?
Em cima dessa corda,
como será meu fim?

Viver é uma prova
de equilíbrio e fé.
E toda essa platéia,
pagou para me ver de pé.

Minha cabeça roda,
não posso desapontar.
Se eu cair na lona,
quem vai me sustentar?

Se eu der um passo em falso,
e desequilibrar,
quem vai colar meu cacos,
quem vai me consolar?

sábado, 19 de abril de 2008

Resposta pra Ladainha


Você não tem chances,
não crie esperança.
Siga tua vida adiante.
Quem espera, sempre cansa.

Então, dance outro fado,
deixa de ladainha.
Eu não te quero ao meu lado.
Dispenso tua companhia.

Então,pega teu barco
e busca outro mar.
Saia da minha frente.
Ou você vai naufragar.

Você não tem chances,
acorda Alice!
Mas se não entendeu, paciência!
quer que eu desenhe o que eu disse?

Simples motivo


Pelo simples motivo
de te amar,
eu só vivo pensando em você.

Todo esse brilho
no meu olhar,
surge quando penso em você.

Pela primeira vez
eu chorei, quando a vi,
de felicidade.

Compreendi
que me apaixonei
por você, de verdade.

Pelo simples motivo
de te amar,
eu te quero para a eternidade.

Criar nossos filhos
construir um lar,
e te amar com toda a intensidade.

Pela eu primeira vez
eu chorei,
despertei para realidade.

Esse amor,
é tão triste só eu sei:
nunca houve reciprocidade.

Pelo simples motivo
de te amar,
eu desisto de tentar te esquecer

Conjugo sozinho
o verbo amar,
o sentir,e o verbo sofrer.

Universo de romance


Ela faz planos pra daqui a um mês,
e acredita em disco voador,
Ela escuta bossa em inglês,
Ela nunca se apaixonou.

Ela visita sebos e brechós,
e coleciona bolsas coloridas,
Ela não gosta de ficar tão só,
mas não crê num amor pra toda a vida.

Ele é tão doce quão misterioso,
Ele tem sonhos e sabe até dançar,
Ele é tão forte, simples, corajoso
e não tem medo de apaixonar.

Ele acredita que amor exista
Ele tem brilho, graça e muita fé.
Ele coleciona coisas esquisitas
E muita gente até duvida se ele gosta de mulher.

Ela mora no Rio de Janeiro,
E há pouco mais de um mês, ele se mudou pra lá.
Ele procura um amor verdadeiro,
Ela não conjuga o verbo amar.

Eles nunca se viram.
Mas numa terça- feira de março,
seus olhares, seus pedaços
irão se encontrar.

E desobecendo a clichês,regras,boatos
Os dois se perderão num interminável abraço,
e mundo vai girar,girar, girar
sem que eles saiam do lugar.

E contrariando a lógica,o tempo,e o espaço
Eis que surge o destino e os amarra num laço.
Com um amor tão verdadeiro,
que nem Paulo Coelho, foi capaz de imaginar.

Hoje eles vivem
num canto qualquer do universo.
Ela, agora canta o amor.
Ele, um pintor de sucesso.

E os dois ensinam a seus filhos,
a não serem tão céticos,a permanecerem tranquilos,
pois na hora marcada pelo destino,
do amor, ninguém pode escapar.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Mais um dia, menos um dia.


O que me levou a criar esse blog? Eu sei, só eu sei o motivo que fez fechar as portas de "Intervalo Sentimental" e começar " O diário de urso".E as cores, a forma, o título tudo tinha um motivo, uma razão.
Primeiro, porque gosto de acreditar que ciclos possuem início, meio e fim.Segundo porque Intervalo se transformou gradativamente num espaço íntimo e pessoal ao quadrado, e não achava justo comigo me expor daquela maneira. Tudo bem que vomitar meus sentimentos, é saudável e se faz necessário o desabafo, agora não havia o porque compartilhar tanta coisa que só dizia respeito a mim, com tanta ou pouca gente.Logo, o ciclo do blog antigo chevaga ao fim. Compreendia a um espaço de tempo e sensações que tinham feito com que eu amadurecesse, me edificasse ou não. E uma vez chegando aquele blog ao fim, era preciso, também saudável e porque não necessário iniciar um novo ciclo, blog, diário de sensações. E o processo talvez se encaminhasse para o mesmo rumo: eu começaria lento, e gradativamente abriria as portas da minha intimidade, até que um dia necessário talvez se faria fechá-lo. Mas essa nova porta que lentamente eu abriria para os poucos ou muitos que me visitam, era a porta de um comôdo novo da minha casa; eu estava disposto a percorrer com coragem, posicionamento,amor e humor, sobre a nova etapa da minha vida que começava.
Por isso as cores, o título,a forma do blog.Tudo estava diretamente relacionado ao meu novo momento marcado por coragem suficiente para escrever sobre ele de uma maneira muito verdadeira, porém menos arreganhada, mas não menos visceral.
E finalmente iniciei o blog. Mas o tiro acabou saindo pela culatra.Fui tomado por um momento de fértilidade no meu processo de inspiração e quando dei por mim, o mês dentro do meu espaço estava recheado de novas composições, poesias, letras e não sei mais o que. Mas a idéia inicial de postar comentários sobre o dia a dia de um urso, parecia adiada, interrompida. Mas analisando agora esses quase três meses de blog, eu me questiono: será que o título saiu mesmo pela culatra? E em seguida tenho arrogânciao bastante para responder minha própria pergunta:Não saiu pela culatra coisa nenhuma. As rimas, os versos, a minha poesia barata nada mais é que uma das milhares maneiras que posso usar( e eu posso qualquer uma,porque o blog é meu) para descrever a trajetória deste urso, que aqui escreve.
Não vou explicar o significado da expressão urso, não comentarei as cores escolhidas para ilustrar essa página, até porque depois do início deste blog muita coisa já se alterou dentro de mim, e eu me sinto livre para não me torturar, tampouco me rotular.
E embora não queira rótulos, a expressão urso me agrada, e o blog não seria o mesmo se não fosse " O diário de um urso".
E uma vez que posso me atrever a escrever da maneira que eu quiser, cá estou para dizer que a idéia de permanecer sequer mais dois meses naquela empresa, me abala, me desespera. Não tenho motivação para continuar, não lá.Os últimos três dias, foram os mais longos dos meus vinte e quatro anos de vida, e me assusta a idéia de alguns dias intermináveis, ainda estejam por vir.
De qualquer modo, preciso crer que um milagre está por vir, e que mais um dia de tristeza,fadiga, cansaço, é menos um dia das mesmas emoções ruins,que se aproximam do fim.
Quero liberdade, quero uma vida nova, uma perspectiva nova. E nada mais justo que eu sonhar com tudo isso. Eu, um, cara que tenta se fazer de forte e cruel, e nada mais é que um menino frágil e do bem, que praticamente não possui momentos de prazer, deve merecidamente encontrar novos rumos dentro do campo profisional, já que no campo amoroso tudo nem vai de mal a pior. Aliás.Nem de mal a pior não vai.Simplemesmente não existe.
Mas tudo há de dar certo no final, e se não deu certo ainda é porque não é o fim. Mais um dia, menos um dia.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Inverno no Rio


Hoje o dia amanheceu tão frio.
Quem diria que isso iria acontecer.
O inverno surgir em pleno abril,
ampliando todo o vazio,
que agora sinto ao te perder.

Hoje o céu acordou tão cinza,
E o sol nem se atreveu em despertar.
As folhas secas nas ruas do Rio,
em contraste com esse frio
que ninguém avisou que iria chegar.

Hoje a noite não vai ser estrelada.
Já não há mais nada que eu possa fazer:
já joguei copos contra a parede,
quebrei teus discos, perdi meus dentes,
e agora esse inverno, que chega sem eu prever.

Quem vai me esquentar nessa noite?
Um dia eu te disse: se for pra me deixar, que não seja no frio.
E você me abandona nesse outono cinzento,
e ampliando meu sofrimento,
nesse exato momento,faz inverno no Rio.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Poema 3x4


Eu posso atravessar
a minha existência,
sem encontrar alguém
que vá se apaixonar.

Por minha estampa cara:
a minha inteligência.
O brilho dos meus olhos,
que ofusca o teu colar.

Eu tenho o gênio forte.
Não é questão de prepotência.
Mas sei exatamente
aonde quero chegar.

A minha estampa é clara:
trago na minha essência
verdade,irreverência
e coragem pra sonhar.

E por ser tão incomum
eu não tenho paciência
com prefere a aparência,
ao invés do conteúdo.

A minha estampa é rara:
Não me guio por tendência
Eis a minha diferença:
não sou igual a todo mundo.

E sei do risco que corro,
de ninguém se apaixonar
Por um ser tão curioso
que ninguém seria capaz de copiar.

Mas ainda que eu atravesse a minha existência
sem despertar um coração.
Eu tenho a plena conciência:
a minha estampa,não é pra qualquer um, não.

Despedida


Chorou pela primeira vez,
e jurou ser a derradeira.
O dia era trinta , o último do mês
Chorou naquele abril,
sem apelar para anestesia.

Chorou,e descobriu o quão doía
despedir-se daquele grande amor,
que nascera num verão matizado
e morria, naquele outono sem cor.

Mas morria, só por um lado
o que amplificava sua desilusão.
Aquele amor,com quem havia se acostumado
agora desaparecia naquele vagão.

Chorou,de tristeza e piedade
com horror da tua própria sina:
naquele amor se encontrara de verdade,
mas não havia reciprocidade
naquela emoção quase divina.

Chorou pela primeira vez,
e não guardou uma lágrima sequer
Verteu naquele pranto,
toda sua mágoa de mulher.

Mas não perdeu a lucidez
Não apelou pra anestesia.
Sofreu tudo de uma vez,
enquanto seu amor se despedia.

A forma e o sentido


Pelo amor de Deus,
vai e me deixa em paz
Perto dos olhos teus,
os meus, já não brilham mais.

Vai, e me deixa sozinha
que mais cedo ou mais tarde,
essa dor vai passar.
Eu conto com minha força,com minha arte.
e com tua distância pra te exorcizar.

Mas pelo amor de Deus,
Fique longe de mim,
Tua presença representa perigo.
Diante da tua forma,
meu coração se transforma,
e nada mais faz sentido.

Um amor, pra quê?


Pra me completar
Pra me aquecer
Pra me suportar
Prar me surpreender.

Pra me abraçar
Pra me proteger
Pra me enfeitiçar
Pra me enlouquecer.

Pra me visitar
Pra me preencher
Pra me telefonar
Pra me dar prazer.

Pra me acompanhar
Pra me estremecer
Pra me devorar
Um amor, pra quê?

sexta-feira, 28 de março de 2008

Amanhecer


Acordarei, calado
Não há mais ninguém ao meu lado.
Não sobraram lembranças,
Não houve noite de amor.
Não foi seu olhar de criança
Nem seu beijo rosado,
Que me despertou.

Acordarei,perdido
e o pivô de tudo isso:
meu coração, meu algoz.
E se nessa manhã nada mais faz sentido
Acostume-se,bandido!
Não trocarei de lençóis.

Reconstrução


Já faz um mês,
que o sol desapareceu
e o cinza que era azul,me acompanhou.

Quem crê em Deus,
na certa encontra explicação:
vê na falta de amor,reconstrução.

Não vejo mais graça em nada.
Ontem eu recorri ao álcool
pra não me lembrar...

Que não há nada que eu faça.
Você me confessou,
que nunca irá me amar.

Já faz um mês,que ligo o televisor:
miséria,assalto,mulheres de maiô,
nada é capaz de me comover...

Nem mesmo a dor,alheia no retrovisor
se eles passam fome, eu sofro de amor
e sou tão infeliz, sem ter você!

Já faz um mês,que meu universo desabou.
O I Ching,os astros, as cartas do tarô
eu busco em vão respostas,pra te esquecer.

Quem crê em Deus,
na certa encontra explicação,
Vê na falta de amor, inspiração.

Chantagem


Cê não sabe da maior,
me disseram que você
tá sofrendo que é de dar dó
entrou numa de deprê.

Que já não vive,
nem se alimenta, com a mesma emoção
e que o pivô dessa tormenta
foi a nossa separação.

Se depender da minha volta,
pode preparar teu funeral.
Tuas lágrimas de cebola, não me comovem,
teu desempenho é quase teatral.

Cê não sabe da maior,
meu coração já não se entrega.
A sua, eu já saquei faz ó!
é só chantagem, vaso ruim não quebra.

Locomotiva


No fim da tarde
lá pelas seis,
antes da noite cair...
eu vou me perder
como os trilhos de um trem,
que sozinhos não sabem
que caminho seguir.

No fim da tarde
lá pelas seis,
antes do sol esconder-se de mim...
eu vou me entreter
como um zé ninguém,
afogando meus sonhos
num copo de gin.

No fim da tarde
lá pelas seis,
antes que o dia se aproxime do fim...
eu torço pra que você perdoe
meus erros,
minha estupidez
e não se esqueça de mim.


Eu me viro sozinho.
Eu sobrevivo sem ti.
Já sei escolher um bom vinho,
e preparar o meu jantar.

Eu não de dependo de nada.
Minha companhia, agora me basta.
Eu sigo só a minha estrada,
e qualquer sintoma de desespero,
é efêmero, passa.

Eu me viro sozinho.
Bato uma punheta.
Escrevo uma canção.
Não preciso do teu corpo,já te adianto:
eu me garanto,com uma boa dose de imaginação.

Antológico


As vezes, a saudade volta.
Em outras, a saudade vai.
Mas ela sempre bate à minha porta.
A saudade nunca sai.

As vezes, a saudade irrita.
Em outras, ela vai devora.
Mas a saudade sempre fica.
A saudade não vai embora.

As vezes a saudade fica.
Em outras, ela me deixa em paz.
Mas é certo que minha vida seria mais bonita.
Sem essa saudade estranha de um pai.

As vezes a saudade dói.
Em outras, só me deixa triste.
Mas é fato:tenho saudade do que ainda tenho,
e mais saudade ainda do que nunca tive.

domingo, 23 de março de 2008

Desencanto


Pela primeira vez com você,
eu não tenho assunto.
Eu não sei o que dizer,
eu não sinto muito.

Pela primeira vez com você,
estou mais frio que um defunto.
E ao seu toque, não sou capaz de mover
sequer um músculo.

Pela primeira vez com você,
eu não tenho vontade.
Eu não sinto prazer,
eu não sou de verdade.

Pela primeira vez com você,
me domina o cansaço.
Eu me sinto tão longe,
tão preso, tão fraco.

Pela última vez com você,
uma certeza me invade:
eu não quero ficar, eu preciso partir.
Ainda não achei minha cara metade.

sábado, 22 de março de 2008

Telefonema


Não é dessa vez,
e talvez nunca seja.
Seus olhos de bolita,
sua boca de cereja.

Uma ilusão maldita,
outro copo de cerveja.
Uma vida tão bonita,
Talvez nunca seja.

Não pode ser agora,
talvez nem amanhã.
A vontade me devora,
sem chances de me completar.

E sua voz só colabora,
para o meu delírio se ampliar.
Imaginando o que não pode ser agora,
e talvez nunca será.

Refrigerante


Do que me adianta chorar.
Me traz uma fanta,
se não tem uísque com guaraná.

Me traz uma fanta,
se ela não vai voltar
pois minha garganta está seca de tanto se lamentar.

Depois,
manda conta
se eu não puder pagar.

Mas agora me traz uma fanta,
já que ela não é santa,
já que ela não quis me amar.

Já que estou tão só,
e não tem uísque
com guaraná.

Se ela não vai voltar.
me traz
um refrigerante.

Que preciso ser alguém.
que eu preciso
levar minha vida adiante.

Delícia Morena


Passou em frente ao trio
Causando sensação
Foi chegando de mansinho
Fez tum tum meu coração.

Falou no meu ouvido,
E quando dei por mim
Fui perdendo os meus sentidos
Levitei, estremeci.

Beijou o meu pescoço
Afagou todo o meu pelo
E sem fazer nenhum esforço
me provocou, me seduziu.

Refrão: ( Bis)

Delícia morena
Delícia morena
Eu danço, eu canto, eu grito...
Esqueço todos os meus problemas!

Provou todo o meu gosto:
O meu hálito, o meu cheiro
Mordeu a minha boca
Com os olhos me despiu.

Refrão: ( bis)

Delícia morena
Delícia morena
Eu bebo, eu beijo, eu vivo
Salvador vai ser pequena!

Devorou o meu corpo
Num instinto natural
E partiu atrás de um bloco
Antes do fim do carnaval.